CURVELO - A primeira vez que vi o Commander foi numa ida à fábrica da Stellantis de Betim, em 2019. O carro ainda era um protótipo e estava num galpão secreto, no meio da fábrica, onde olhos curiosos não conseguiam chegar perto. De lá para cá, o carro era visto parecendo um tijolo no entorno da região metropolitana de Belo Horizonte. Uma rotina normal de desenvolvimento. E da mesma forma que pude conferir o SUV em seu estágio embrionário, agora pude dar a primeira volta nele, antes de quase todo mundo. 

O Commander é o SUV de sete lugares da Jeep, que chega para se posicionar acima do Compass. O modelo será o representante da marca num segmento em que figuram modelos como Mitsubishi Outlanter e Volkswagen Tiguan Allspace. Mas nessa conta podemos colocar o Chery Tiggo 8, que também oferece lotação extra.

Com preços que vão de R$ 200 mil a R$ R$ 280 mil, o Commander estreia num segmento que não tem crise. Ele é destinado para um perfil de consumidor que busca luxo, tecnologia e muito conteúdo.

O SUV será oferecido com apenas duas versões de acabamento: Limited e Overland, assim como duas motorizações, que utilizam a unidade 1.3 turbo flex de 185 cv e 27,5 kgfm de torque e o conhecido 2.0 turbodiesel de 170 cv. 

No entanto, os engenheiros da marca ampliaram o torque de 35 para 38 kgfm de torque. Para isso, a Jeep adicionou nova turbina, assim como novos volante do motor e conversor de torque para suportar o ganho extra de força. O bloco é combinado com uma transmissão automática de nove marchas e tração 4x4.

Conteúdos

Para se posicionar na prateleira de cima, o Jeep Commander chega abarrotado de conteúdos. Oferece quadro de instrumentos digital, multimídia flutuante (com conexões sem fio Android Auto, Apple Carplay, sistema Jeep Intelligence Adventure Plus, Alexa e câmera de ré). Ainda conta com partida sem chave, ar-condicionado de duas zonas (com repetidor traseiro), banco do motorista com ajuste elétrico, acabamento em couro, com apliques em camurça e outros.

O pacote de segurança é farto. Controle de cruzeiro adaptativo (ACC), monitor de ponto cego, assistente de permanência de faixa de rodagem, alerta de colisão, frenagem emergencial autônoma, monitor de tráfego cruzado em ré, assim como assistente de partida em rampa e farol alto com ajuste automático.

Visual

O Commander tem estilo que remete aos irmãos Grand Cherokee e Grand Wagoneer, mas com elementos que trazem uma proximidade com o Compass. O desenho da grade, lanternas e para-choques remete aos primos gringos. 

Por outro lado, os faróis e o acabamento da coluna C foram inspirados no irmão pernambucano. O resultado é bastante agradável. Mesmo com o corte em quase 90° do porta-malas e 4,76 m de comprimento, ele não parece uma banheirona careta. 

E por falar em comprimento, o carro tem espaço interno de sobra, a distância entre-eixos é de 2,79 m, o que garante muito espaço para as duas primeiras fileiras. A terceira, com dois assentos, leva dois adultos, mas o ideal são duas crianças.

O Commander tem porta-malas de 660 litros (com a terceira fileira rebatida); com lotação máxima, a capacidade do bagageiro cai para 233 litros. Pode parecer pouco, mas vale lembrar que quando o Renegade estreou em 2015, seu porta-malas era de apenas 260 litros. Não dá para levar a tralha da família toda, mas tem espaço para uma bolsa de viagem e uma matula para a hora que a fome apertar.

Primeira dança

O primeiro contato com o SUV foi um tanto inusitado. A Jeep fez um teste noturno com trajeto de asfalto, no Autódromo dos Cristais, em Curvelo, com trecho off-road (com direito a uma escadaria). A pista foi iluminada com feixes de LED para demarcar as laterais. E nas curvas grandes setas vermelhas luminosas. Quem jogou “Need For Speed” sabe do que estou falando.

O que pudemos conferir é que o carro ficou muito bem acertado. A suspensão tem calibração que garante firmeza nas curvas, resistência no fora de estrada, mas sem penalizar o conforto. Ela absorve as irregularidades, mas não transfere para a cabine.

Outro ponto que surpreendeu foi a eletrônica embarcada. Quem já guiou em autódromo sabe que é preciso ficar atento às marcações da pista. Placas de chegada de curva para reduzir marcha e aplicar frenagem no tempo certo. Assim como aquele calombo no meio da tangente, que indica que se pode alinhar a direção e dar motor.

No escuro não dá para ver nada disso. Só os pilotos que correm em provas de longa duração são capacitados para “ler” o traçado no escuro. Assim, é fato que entramos em todas as curvas da forma errada. Mas a eletrônica é impecável: ao virar o volante, ele percebe a perda de tração das rodas, aplica os freios e ajusta a distribuição de torque, num balé coordenado pelos controles de estabilidade e tração, assim como o ABS. 

No fora de estrada o motor turbodiesel demonstrou seu velho vigor de outrora. Mas chama atenção o raio de giro da direção do Commander. Mesmo com quase 5 metros de carcaça, ele manobra com facilidade em trilhas apertadas e curvas pouco generosas. Passa fácil, sem necessidade de correções.

Na pista, o motor 1.3 turbo de 185 cv, que já tínhamos conferido no Compass e na Fiat Toro, mostrou que os quase 1.800 quilos do Commander não são problema. O carro acelera rápido. E se o bloco é bom, os freios são melhores ainda. No escuro acima dos 140 km/h, muitas vezes a curva chega antes do previsto, e os discos nas quatro rodas foram capazes de impedir que a decoração de videogame fosse danificada.

Realmente, ao volante esse carro não parece ter o tamanho que tem. Além da eletrônica, as bitolas mais largas dos eixos e a rigidez da carroceria fazem com que o Commander seja tão na mão.

Vendas

Segundo os executivos da Jeep, o consumidor já pode encomendar o carro. A campanha de pré-venda aberta nesta quinta-feira (26) terá um lote de 500 unidades, que brindará o comprador com três manutenções grátis, assim como uma bolsa de viagem personalizada e uma nécessaire. As entregas estão previstas para iniciar em outubro.

Versões e preços

Limited 1.3 - R$ 199.990 
Limited 2.0 - R$ R$ 219.990
Overland 1.3 - R$ 259.990
Overland 2.0 - R$ 279.990