Os anos 1990 foram o apogeu do videogame. Incontáveis gêneros emergiram a partir daquele período. Entre eles os games de luta, que ganharam formato que se mantém até hoje. E quem tentou reinventar a roda se deu muito mal. 

Não é surpresa para ninguém ue “Street Fighter II” foi o jogo que definiu as regras pétrias dos games de luta. Barra de energia, cronômetro, progressão de campanha, assim como a estética em que o lutador se destacava no cenário. O game era uma evolução gritante do primeiro título, de 1997.

A SNK, que disputava o mercado de fliperamas com a Capcom, logo viu que o caminho dos games de luta deveria seguir a onda “SF”. E pouco meses depois, ainda em 1991, ela lançou “Fatal Fury: King of Fighters”, que colocava o jogador no comando dos irmãos Andy e Terry Bogard, assim como o lutador de boxe tailandês, Joe Higashi.

Apesar do sucesso, a dona do Neo Geo viu que poderia investir em mais títulos de luta como “Art of Fighting” e “Samurai Shodow”. Enquanto isso, a Capcom apresentava novas edições de “Street”.

Mas o grande trunfo da SNK foi apresentado em 1994, batizado de “The King of Fighters 94”, ou simplesmente “KOF”. O game elencava lutadores de “Fatal Fury” e “Art of Fighting”, além de games que não eram de luta como “Ikari Warriors” e “Psycho Soldier”.

“KOF” se tornou um tsunami com versões para uma infinidade de consoles, assim como edições quase que anuais. Agora estreia no PS4 “The King of Fighters 2002 Unlimited Match”. Trata-se de uma edição com nada menos que 66 lutadores.

O jogo 

Já fazia um bom tempo que não jogava “KOF”. Apesar de ter a edição 98 para PS2, mal lembrava dos golpes dos poucos personagens que tinha hábito de jogar nos fliperamas. O senso comum sempre manda escolher Terry Bogard. Afinal, seus golpes são muito parecidos com os da dupla Ryu e Ken, de “SF II”.

Mas vale a pena fazer uma rodada de “degustação” dos demais personagens. E o segredo é aplicar tudo que você se lembra de jogos de luta. Aqueles comandos de meia lua pra frente, para baixo, para cima, pra frente duas vezes, pra baixo e frente, para baixo e atrás, para frente e para trás. Teste tudo, com soco e chutes, algum golpe irá encaixar.

Um dos modos mais legais é o Endless em que o jogador tem um round apenas. É um modo mais dinâmico para lutar com a enorme lista de personagens. 

Nesse modo é possível escolher a opção de lutador aleatório. E quando se vence, seu lutador é trocado por outro. O mais legal é que se o jogador apanhar muito na primeira luta, apenas uma parte do sangue estará disponível na seguinte. 

É uma maneira legal de testar lutadores que habitualmente a gente nunca escolhe. E se o amigo perder o round, fim de jogo.

Para quem não tiver como jogar com amigos presencialmente, devido à pandemia do Covid-19, é possível jogar online. Mas é bom treinar antes, pois a turma que joga em rede não costuma ser piedosa.

Visual

O estilo gráfico de “The King of Fighters 2002 Unlimited Match” segue o padrão de duas décadas atrás. No entanto, foi feito um trabalho para refinar as animações, filtros foram aplicados para reduzir serrilhados. O resultado é saudosista. Os pixels pontilhados têm aquele charme da velha guarda dos games. 

No entanto, chama atenção a superioridade que os games SNK sobre as demais produtoras. Há 25 anos a resolução dos televisores, tanto das máquinas de fliperama, como nos televisores, quando se ligava console Neo Geo, ocultavam o refinamento do poderoso hardware japonês. Agora, mesmo com os pixels graúdos, é possível perceber a riqueza de movimentos e elementos móveis. 

Palavra final

Jogar “KOF” novamente foi uma viagem no tempo. Na época em que rolava uma disputa de qual game de luta era melhor. Tinha o cara que mandava bem em “KOF” e aquele que era viciado em “Street”. 

“The King of Fighters 2002 Unlimited Match” está disponível na PSN por R$ 75.