O ex-prefeito de Unaí, Antério Mânica, será julgado nesta quarta-feira (4) a partir das 8h30 no Tribunal do Juri da Justiça Federal de Belo Horizonte. Na semana passada, quase 12 anos após o crime, o fazendeiro Norberto Mânica e o produtor rural José Alberto de Castro, conhecido como Zezinho, foram condenados pelo assassinato de três fiscais e um motorista do Ministério do Trabalho e Emprego. Mânica, que chegou a ser conhecido como o “Rei do Feijão”, teve a pena fixada em 100 anos de prisão, mas, por já ter ficado detido anteriormente, terá que cumprir 98 anos, seis meses e 24 dias.

A pedido da Procuradoria Regional da República da 1ª Região (PRR-1), o Tribunal Regional Federal da 1ª Região (TRF-1) suspendeu o julgamento de Antério Mânica a pedido do advogado do delator Hugo Alves Pimenta, apontado pelo Ministério Público Federal (MPF) como um dos intermediários da Chacina de Unaí.

Segundo o criminalista Lúcio Adolfo, a estratégia visa garantir ampla defesa a Hugo Pimenta. E evitar que ele seja julgado com os outros acusados na condição de réu e de delator ao mesmo tempo. “Não é interessante para o meu cliente, neste momento, ser julgado junto com os outros réus”, explicou Adolfo, em entrevista ao Hoje em Dia.

Participação no crime

O fazendeiro Antério foi denunciado como um dos mandantes do crime. Francisco Elder Pinheiro é acusado de contratar, entre outros, Erinaldo de Vasconcelos Silva para matar os fiscais. Para a procuradora regional da República Elizeta Maria de Paiva Ramos, o julgamento do prefeito “depende em grande parte do que vier a ser decidido pelo Tribunal do Júri quanto à participação de Erinaldo e Francisco na empreitada.”

Na acusação, Norberto e Antério Mânica teriam sido mandantes da execução. Hugo Alves Pimenta e José Alberto de Castro teriam intermediado a contratação de Francisco Elder Pinheiro que, por sua vez, teria combinado os assassinatos com Erinaldo de Vasconcelos Silva e Rogério Alan Rocha Rios. A procuradora explica que Francisco, Erinaldo e Rogério inicialmente confessaram que os fatos ocorreram de acordo com a denúncia. Mas “em juízo mudaram de idéia, tendo Erinaldo apresentado uma surpreendente versão que eliminaria a participação dos demais acusados”, afirma Elizeta Ramos.

Como Erinaldo e Francisco devem ser julgados em breve, segundo a procuradora “não há razão para que o mandante Antério seja submetido a julgamento antes de decidida, pelo Tribunal do Júri, a responsabilidade dos executores Erinaldo e Francisco.”

Para entender

Em 28 de janeiro de 2004, os auditores fiscais Eratóstenes de Almeida Gonçalves, João Batista Soares Lage e Nelson José da Silva, e o motorista Ailton Pereira de Oliveira caíram em uma emboscada na área rural de Unaí, no Norte de Minas, a 160 Km de Brasília.

Foram mortos com tiros à queima-roupa no rosto e na cabeça. Desde então, os familiares deles lutam por Justiça e contra os sucessivos recursos apresentados pelos advogados defesa. Em um dos embates, o MPF recorreu para que o julgamento fosse realizado em BH, e não em Unaí.