O ex-empresário e ex-publicitário Marcos Valério Fernandes, operador do mensalão do PT e acusado de envolvimento no esquema de caixa 2 do PSDB, foi transferido nesta semana para a Associação de Proteção e Assistência aos Condenados (Apac) de Sete Lagoas, na região Central de Minas. A mudança de unidade ocorreu na segunda-feira (17) com autorização da Justiça. 

De acordo com a Secretaria de Estado de Administração Prisional (Seap), Marcos Valério deixou a Penitenciária de Segurança Máxima Nelson Hungria, em Contagem, na Região Metropolitana de Belo Horizonte, às 17h38. De lá, seguiu para o novo endereço, onde permanecerá recluso. Ele foi condenado a mais de 30 anos de prisão pelo mensalão.

Preso desde 2013 na penitenciária Nelson Hungria, Valério negociou delação premiada para ter direito a ser transferido para a Apac. Segundo o advogado do ex-empresário, Jean Kobayashi, Valério cumpre todos os pré-requisitos para que passe a cumprir a pena em uma Apac.

Reintegração

A Apac faz parte de um programa de reintegração social para presos, por meio do trabalho e de atividades de recuperação. É uma entidade sem fins lucrativos, que auxilia o Poder Judiciário. Nesta prisão, parte dos presos tem as chaves das celas e os seguranças não andam armados.

Nas Apacs os condenados não usam uniforme e os seguranças não portam armas. Marcos Valério já havia pedido transferência para outra Apac, de Lagoa da Prata, no Centro-Oeste de Minas. Porém, a ida para a instituição não ocorreu porque ficou comprovado que o ex-empresário, ao contrário do que alegou à época, não tinha parentes residindo no município.

Entre os critérios para cumprir pena em uma Apac, estão concordar com as regras de ressocialização do centro de detenção e ter parente residente no local. Antes da transferência é necessário, ainda, ouvir o Ministério Público e a administração prisional. A defesa do ex-empresário alega que a mulher de Valério mora em Sete Lagoas.

Influência

Valério atuou nos anos de 2000 em Minas e no governo federal. Foi apresentado ao ex-presidente Lula (PT) pelo então deputado Virgílio Guimarães (PT). Também teve contrato com o governo de Minas quando o governador era o senador Aécio Neves (PSDB). Valério foi ainda sócio de Clésio Andrade, ex-vice-gvernador e ex-senador. Conhecia como poucos os bastidores do poder. 

Leia mais:
...Marcos Valério tem rotina de depoimentos...
...Marcos Valério presta depoimento em dela...
Turma do TRF tranca ação contra Pimenta da Veiga por falta de provas
Nas mãos deles: com honorários milionários, defensores de figurões ganham destaque na 'Lava Jato'