Os 14 policiais da Rondas Ostensivas Tobias de Aguiar (Rota) suspeitos de executarem dois jovens durante uma perseguição em Pirituba, na zona norte da capital, foram liberados nesta sexta-feira (9), do Presídio Militar Romão Gomes, onde estavam presos desde agosto. Eles receberam liberdade após a competência do caso passar a ser da Justiça comum.

Os PMs estavam presos por decisão do Tribunal de Justiça Militar de São Paulo (TJM-SP). No entanto, o Inquérito Policial Militar (IPM), enviado pela Corregedoria da PM, recebeu despacho do juiz militar na última quinta-feira (8), encerrando a competência do TJM-SP para manter as prisões.

A Corregedoria da PM abriu investigação contra os suspeitos após desconfiar do relato apresentado pelos policiais da Rota sobre o caso. Agora, o Ministério Público precisa oferecer denúncia e pedir a prisão dos policiais à Justiça comum, caso entenda que os agentes não podem ficar em liberdade.

Investigação

Na primeira versão apresentada na delegacia, os PMs afirmaram que estavam em patrulhamento na Avenida Doutor Felipe Pinel quando suspeitaram de um carro azul com vidros escuros ocupado por três homens.

Eles pediram para o veículo parar. Os homens não obedeceram e fugiram em alta velocidade. Durante a perseguição, o carro teria diminuído de velocidade, um passageiro desceu, começou a atirar contra os PMs e acabou morto. Ele estaria com uma pistola calibre 380.

Segundo os policiais, o carro continuou a fuga, perdeu o controle e bateu no acostamento.
Os dois passageiros desceram. Um deles conseguiu fugir após se esconder em um matagal. O parceiro acabou cercado por outro grupo da Rota e morreu na troca de tiros. Segundo a versão da PM, tinha uma pistola .40, usada pela polícia.

No carro dos rapazes, os policiais disseram ter encontrado uma metralhadora, um colete à prova de balas, um carregador de fuzil e duas bananas de dinamite.

A Corregedoria, porém, desconfiou da versão. O trajeto descrito pelos policiais não corresponde aos registros do GPS das viaturas. O depoimento de uma testemunha chave - um comparsa de um dos capturados pela PM - reforçou a tese que os PMs tenham forjado o tiroteio contra os dois rapazes. Além disso, a Corregedoria acredita que pode ter havido abuso por parte das autoridades - quatro policiais dispararam, cada um, quatro tiros.