Alexandre Kalil (PHS) se defendeu, na manhã desta quarta-feira (17), sobre a decisão do Tribunal Regional Eleitoral (TRE) que rejeitou as contas da sua campanha a prefeito de Belo Horizonte, do ano passado, e afirmou que irá recorrer.

Ontem, o TRE manteve, por unanimidade de seis votos, decisão de primeira instância contra o prefeito. A juíza, Cláudia Coimbra, relatora do processo no colegiado, afirma haver impossibilidade de “comprovação da origem dos recursos de R$ 2,2 milhões que foram creditadas na conta de campanha do prefeito eleito”. Os valores estariam relacionados à venda de um apartamento que foi de Kalil e de outro, que pertenceu aos filhos dele.

“Nos vamos recorrer a Brasília (no TSE). Sobre a 'venda fictícia', o apartamento já foi desocupado e entregue. É uma coisa engraçada, porque todos os desembargadores que votaram sabiam que o apartamento estava desocupado e entregue. Essa que é a 'venda fictícia'. Não é dinheiro de caixa dois. É um imóvel que existe, que nós desocupamos e entregamos ”, disse.

O prefeito ainda afirmou que "nada o abala". “Nós nunca tínhamos feito nada com dinheiro público. Eu nunca tinha colocado a mão em dinheiro público na minha vida. Era uma venda de privado para privado. Inventaram isso aí. Eu respeito a decisão, mas gostaria de afirmar à população de Belo Horizonte que a 'venda fictícia' foi entregue (existiu) e que nós inclusive já recebemos mais uma parcela”, afirmou.
 
Entenda o caso
A defesa de Kalil afirma que os R$ 2,2 milhões são provenientes de recursos próprios, vindos da venda de 37,5% de um imóvel de Kalil, no bairro Lourdes, para os seus três filhos, aponta a assessoria do TRE. A negociação teria resultado em R$2.231.250 para o então candidato.

Essa venda foi feita no dia 10 de outubro do ano passado. Acontece que, no mesmo dia, também conforme o TRE, os filhos de Kalil venderam outro imóvel, no bairro Serra, para CBC Imóveis e Conservadora Ltda, no valor de R$5.231.250. No dia 14 de outubro, parte da cifra da venda desse apartamento da Serra, exatamente R$ 2.231.250, foi transferida para Kalil.

Com a decisão de ontem, o TRE determinou o recolhimento dos R$ 2,2 milhões numa conta do Tesouro Nacional, no prazo de cinco dias.