As duas candidatas ao governo do Chile nas próximas eleições, a ex-ministra do Trabalho e líder da direita, Evelyn Matthei, e a candidata de centro-esquerda e ex-presidente Michelle Bachelet enfrentaram nesta terça-feira (27) o pedido de perdão oferecido por um líder ultradireitista pelo que fez ou deixou de fazer após o golpe militar em 11 de setembro de 1973.

O pedido enviado às duas candidatas foi solicitado pelo ultradireitista Heinán Larraín. Matthei foi taxativa na resposta. "Eu tinha 20 anos quando aconteceu o golpe, não tenho porque pedir perdão", e acrescentou que os setores políticos "não pedem perdão."

A rival de centro-esquerda, Bachelet, viu no pedido uma oportunidade de avançar em direção à reconciliação. Bachelet acrescentou às vésperas do aniversário da derrota do presidente socialista Salvador Allende, que "é um momento para o país refletir e pensar sobre como tudo foi feito para seguirmos construindo um país onde possamos nos considerar um país unido."

Bachelet e Matthei devem se enfrentar nas urnas nas eleições presidenciais marcadas para o dia 17 de novembro, e ainda que haja outros sete candidatos menores, a briga pela presidência se dará entre as duas, segundo as pesquisas.

Matthei é filha de um general da Força Aérea que esteve fora do país durante o golpe, mas retornou em 1978 e chegou a integrar a Junta Militar de Pinochet. Também foi o general que conseguiu reduzir a tensão em 5 de outubro de 1988, quando a ditadura se negava a reconhecer que havia perdido o plebiscito e que o general Augusto Pinochet não poderia seguir no poder até 1998.

Bachelet é filha de um general da mesma categoria, que foi preso em 11 de setembro, foi torturado, condenado por um conselho de guerra e morreu no cárcere de um ataque cardíaco desencadeado pelas torturas. Os golpistas o acusaram de haver colaborado com o governo recém derrotado, por sua experiência na administração.

O golpe militar, que durou de 1973 a 1990 e foi liderado por Pinochet completa 40 anos em setembro e o presidente Sebastian Piñera planeja uma cerimônia comemorativa do aniversário do golpe que deixou mais de 40 mil vitimas, principalmente presos políticos e torturados, incluindo 3.065 assassinados.