O prefeito de Belo Horizonte, Marcio Lacerda (PSB), admitiu ontem que errou ao não informar a Paulo Brant (PSB) que ele não seria mais candidato à sucessão e deu a própria versão para o “drama político” em que o episódio se transformou. Ao Hoje em Dia, o prefeito contou que já entrou na campanha do atual vice, Délio Malheiros (PSD), e que dela vai participar ativamente: “Vou mergulhar de cabeça”, avisa. 

Segundo o prefeito, o motivo da desistência em torno do nome de Brant aconteceu devido a uma condenação administrativa aplicada pelo Banco Central ao ex-presidente da Cenibra.

De acordo com Lacerda, apenas às 17h30 da última sexta-feira o advogado de Brant encaminhou a ele um e-mail informando sobre a condenação. O pessebista alega que, como os prazos exigidos pela Lei Eleitoral obrigavam uma definição, em ata, até a meia-noite daquele dia, preocupou-se, primeiro, em definir os rumos que o PSB tomaria.

Conforme o relato do prefeito, no início da noite de sexta iniciou-se uma discussão interna sobre os reflexos da condenação. “Certamente os adversários irão conhecer a condenação e isso é fatal para a candidatura. Ele é muito preparado e de repente o adversário, em um programa eleitoral, diz assim: se é tão bom gestor porque o Banco Central diz que não pode ser nem gerente de banco? A população não votaria nele. Perderíamos a eleição. Ficaria uma situação muito difícil, desgastante”, afirmou.

Drama

“Infelizmente admito que cometi um erro: eu não o procurei porque priorizei correr atrás de uma nova coligação porque tudo se encerrava à meia-noite. Depois de 21h, 22h, tentei falar com ele, não consegui. Mandei ‘n’ mensagens. Pedi uma reunião com ele para as 8h do dia seguinte, ele não concordou. Então, um drama político e pessoal. Tive um drama semelhante em 2012 quando o PT rompeu comigo”, afirmou Lacerda.

Conforme nota do PSB, o julgamento ocorreu porque Brant teria cometido “infração grave na condução dos interesses do Bemge, caracterizada pela inobservância às normas de boa gestão e de boa técnica bancária, decorrentes principalmente do deferimento e condução de grande número de operações de valores relevantes que não atenderam aos princípios de seletividade, garantia, liquidez e diversificação de riscos”.

Segundo Lacerda, mesmo com o pouco tempo para propaganda na TV, na manhã de sexta-feira ficou definido que a candidatura de Brant prosperaria. 

Lacerda diz que, durante o processo pré-eleitoral, conversou com Brant sobre a possibilidade de ter condenações, porém, o pré-candidato teria negado. “Acredito que nem ele sabia (da condenação)”, diz o prefeito. A condenação administrativa pelo Banco Central foi publicada no Diário Oficial da União em 7 de julho e refere-se ao período em que Brant foi gestor do Bemge, extinto banco estadual.

Brant e aliados usaram redes sociais e entrevistas à imprensa para desabafar. Criticaram a decisão de Lacerda, especialmente sob a justificativa de que o pré-candidato não foi informado da desistência. No sábado, o PSB declarou apoio a Délio Malheiros. O candidato a vice será Josué Valadão, ex-secretário de Obras e de Governo de Lacerda e muito próximo a ele.

Além disso:
O prefeito Marcio Lacerda garantiu, em entrevista exclusiva ao Hoje em Dia, que nunca negociou o apoio do PSDB. “Esta hipótese nunca aconteceu. Esta proposta foi feita inúmeras vezes, mas nunca concordei com ela por achar que com João Leite perderíamos a eleição”, afirmou.
O próprio PSDB divulgou nota no fim de semana afirmando que não teve nenhuma responsabilidade sobre a retirada da candidatura de Paulo Brant, do PSB. “Consideramos natural e legítimo em um quadro partidário tão pulverizado como o atual que várias candidaturas se coloquem nesse primeiro momento, sabemos que devemos manter interlocução com aquelas as quais temos maior afinidade e que levem a um reagrupamento no segundo turno”, descreveu o partido, na nota.