Ao fim de oito anos à frente da capital mineira, o prefeito Marcio Lacerda (PSB) se orgulha das realizações durante o governo, apesar de deixar o posto com algumas frustrações. “Poderíamos ter avançado mais, mas todo esforço foi feito, e não tivemos nenhuma denúncia de corrupção”.

Em balanço do mandato, ontem, Lacerda destacou três grandes feitos da gestão dele: a ampliação do número de Unidades Municipais de Educação Infantil (Umeis) de 40 para 129, a implantação do Move em três dos maiores corredores de trânsito da capital e o avanço das obras do Hospital do Barreiro.

A conquista do título de Patrimônio da Humanidade para o complexo da Pampulha também foi destacada pelo prefeito.

Plano Diretor

Marcio Lacerda pontuou que um dos avanços para a cidade, construído durante a gestão dele, é o novo plano diretor, que aguarda votação na Câmara Municipal. 

“Foi um projeto que passou por ampla discussão e consegue unir movimentos de esquerda e empresários defendendo a aprovação”, observou.

Na saúde, o prefeito de BH comemorou o crescimento de 593% nas consultas especializadas, que passaram de 205 mil em 2008 para 1,42 milhão em 2015, e a redução de 78% na fila de cirurgias eletivas (de 60 mil pessoas em 2008 para 12,9 mil).

“A nova gestão pediu para analisar o contrato de PPP para a iluminação pública antes de darmos a ordem de serviço”
Marcio Lacerda
Prefeito de BH sobre a manutenção e adequação da iluminação pública 

Impasses

Lacerda colocou como tímidos os avanços na área da habitação devido às ocupações na região do Izidora (também conhecida como Granja Werneck), onde haveria a construção de unidades do “Minha Casa, Minha Vida”.

De acordo com a PBH, foram construídas 13,8 mil moradias entre 2009 e 2016 nos programas “Minha Casa, Minha Vida”, “Vila Viva” e “Orçamento Participativo da Habitação”.

“O programa de moradias não avançou mais. Seria o ‘Minha Casa, Minha Vida’ mais bonito do país, no Granja Werneck”, comentou Lacerda. 

O prefeito questionou o número de 8 mil famílias no local, como apontado pelos ocupantes – “Não passam de duas mil famílias”, disse –, e reforçou que parte dos moradores não é natural de Belo Horizonte.

Metrô

“Vieram só os R$ 50 milhões para a elaboração do projeto de expansão do metrô”, destacou Lacerda quanto ao impasse das obras.

“A disputa política entre o PSDB e o PT prejudicou muito”, observou o prefeito, lamentando que as obras do metrô tenham avançado, no mesmo período, em outras capitais, como Rio de Janeiro, São Paulo e Salvador.

Ainda sobre mobilidade, Lacerda informou que o município estuda a possibilidade de reajuste da passagem de ônibus para o próximo ano, decisão que precisa ser apresentada até o próximo dia 27. 

“O problema é que o número de passageiros tem caído a cada ano, o que torna o equilíbrio das empresas ruim. Ao mesmo tempo, a demanda cai porque a passagem é cara”, ponderou.

“Não existe caixa-preta do transporte coletivo de BH. Isso é uma lenda. Os custos são muito conhecidos”, emendou.

Lacerda defende proximidade com os vereadores da capital

Durante a apresentação do balanço do mandato, Lacerda disse ter mantido uma relação amistosa com a Câmara Municipal durante boa parte do mandato, e que isso pode ser observado na aprovação de projetos considerados importantes por ele, como o modelo de PPP para a construção de creches – que teve a resistência de alguns setores, lembrou. 

“Neste último ano, com as eleições, essa relação não foi tão produtiva. Tem a ver com a dinâmica partidária do país. Cada parlamentar é quase como um partido. Deveríamos ter escolhido governar mais com os vereadores, pessoalmente, e menos com os partidos”, lamentou.

Lacerda pontuou que avaliará a mensagem da Câmara sobre o aumento do salário, que só foi entregue ontem. Um possível aumento do IPTU será analisado pela próxima gestão, informou

Futuro

Marcio Lacerda desconversou sobre o próprio futuro político após o desligamento do cargo, no dia 31. “Vou tirar belas férias em janeiro, não é Regina? Só tirava 10 dias”, disse, se referindo à mulher, na plateia.

“Todos me perguntam sobre 2018, mas antes de pensarmos nas eleições daquele ano é preciso cuidar de fazer o país crescer”, disse, pontuando que seria preciso uma prioridade maior de políticas públicas para conter o desemprego.

Avanços PBH