Não se pode negar que a contribuição de “Grand Theft Auto III” para a indústria de games é tão importante quanto foi a de “Wolfenstein 3D”. “GTA III” abriu um novo prisma de como se fazer games, com seu estilo mundo aberto. E na primeira metade dos anos 2000, todo mundo queria ter seu próprio jogo de bandido. Afinal, as contravenções de Claude, Tommy Vercetti e Carl Johnson rendiam toneladas de dólares aos bolsos da Take Two Interactive.

A Electronic Arts sabia do potencial do estilo e ao invés de criar um carbono de “GTA” foi bater na porta da Paramount Pictures para adaptar “O Poderoso Chefão” para os games. Hollywood, que já conhecia o potencial do novo ramo da indústria do entretenimento, não pensou duas vezes.

Assim, em 2006, a EA apresentava “The Godfather: The Game”, em que o jogador deveria ascender dentro da família Corleone. O game era literalmente um “GTA” passado nos anos 1940. No entanto, com uma vantagem imensa sobre a série da Rockstar Games. Nele, o jogador vivenciava uma trama paralela aos acontecimentos do filme.

TBT

O game foi uma grata surpresa e mostrava como o gênero tinha atraído a atenção de grandes selos. Quando testamos o game em 2006, para o Hoje em Dia, a EA enviou uma cópia em DVD que continha um pôster com o mapa da cidade e o organograma da organização mafiosa. Um capricho que não existe mais.

Em diversas sequências do filme, o game colocava o jogador naquilo que não era mostrado, como, por exemplo, a cena da cabeça de cavalo. No longa-metragem, os Corleones mandam um recado para um produtor musical, decepando seu cavalo e deixando a cabeça na cama do figurão, para pressioná-lo a aceitar um jovem talento de origem italiana, que seria uma alusão ao relacionamento de Frank Sinatra com a máfia.

O próprio Sinatra ficou furioso com a história e, quando teve oportunidade, agrediu o autor do livro que deu origem ao filme. O longa mostra apenas o produtor acordando e deparando-se com a cena bizarra. Já no game, o jogador realmente tinha que fazer o serviço.

Outros trabalhos sujos como eliminar cadáveres no crematório e até mesmo participações em momentos memoráveis, como a cena em que Michael assassina o capitão McCluskey e o mafioso Sollozzo. No game, o jogador é quem planta a arma no banheiro e, também testemunha ocular da execução, fica na retaguarda para ajudar Mike caso algo desse errado.

Caras e bocas

A Electronic Arts conseguiu autorização para reproduzir praticamente todos os atores no game. O jogo traz incontáveis cenas de animação que foram tiradas do filme. Marlon Brando, James Caan, Robert Duvall estão presentes no game, assim como praticamente todos os coadjuvantes.

A ausência ficou por conta de Al Pacino, que não autorizou o uso de sua imagem e nem de sua voz. Meses depois, ainda em 2006, a Sierra lança “Scarface: The World is Yours”, com Al Pacino vociferando todos os palavrões a que tem direito.

O jogador

No game, o jogador é um soldado da máfia. Sua missão começa com pequenos serviços, como cobrar uma propina ali, fazer uma pressão aqui. Com o passar da história, o jogador vai ganhando novas responsabilidades e respeito no organograma da “famiglia”. O jogador pode customizar seu personagem, escolher roupas e estilo. É bem legal. Dá para ficar um tempão só enfeitando o bonequinho. 

Jogabilidade

“Godfather: The Game” é um jogo de ação em mundo aberto com visão em terceira pessoa. Nele é possível perambular pelas ruas de Nova York, roubar carros, trocar tiros e tudo mais que se faz num game do gênero. No entanto, o casamento das missões com a ordem cronológica do filme é um grande barato. Vivenciar aquilo que não se mostra no longa é a cereja do bolo.

Para jogar

O game foi publicado para PC, PS2, PS3, PSP, Xbox, Xbox 360 e Wii. No entanto, encontrá-lo não é fácil. No Mercado Livre a única cópia que achamos estava sendo vendida por nada menos que R$ 350. E, para piorar, a edição de PC não permite verificar a autenticidade do game. Falo isso na prática, pois sempre dá erro ao tentar conectar com o servidor da EA.

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