O presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Ricardo Lewandowski, retomou nesta noite a sessão que discute o processo de impeachment da presidente afastada, Dilma Rousseff.

Com a reabertura da sessão, a senadora Regina Sousa (PT-PI) é a 22ª a se pronunciar. São 66 inscritos e todos os parlamentares até o momento utilizaram os 10 minutos concedidos por Lewandowski. Até o momento, 11 senadores se manifestaram a favor do impeachment, e 9 contra. Dois não declararam o seu voto.

A previsão do presidente é de que essa fase seja encerrada às 2h30 e que a votação aconteça só amanhã de manhã.

A senadora Regina Sousa afirmou que o Brasil e o mundo assistem hoje ao último capítulo "de uma trama bem armada". Ao defender a presidente afastada, a senadora afirmou que hoje estão em julgamento os benefícios ao povo pobre. "A disputa aqui é entre Bolsa Família e Bolsa de Valores", disse.

Atendimento médico

O deputado Adilson Sachetti (PSB-MT) passou mal durante a sessão e o serviço médico do Senado foi acionado. De cadeira de roda, o deputado foi retirado do plenário.

O senador Ronaldo Caiado e líder do DEM (GO), que é médico, ajudou o parlamentar. Segundo Caiado, Sachetti acha que teve uma labirintite, mas ele acredita que é glicemia. "Ele vai fazer a dosagem agora e um eletrocardiograma".

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Discursos

Alguns senadores, como já era esperado, têm posição clara sobre o impeachment e declaram abertamente suas convicções. É o caso de Álvaro Dias (PV-PR), antigo opositor dos governos petistas, que disse ter a certeza de que a presidenta cometeu os crimes de responsabilidade dos quais é acusada.

“Crime de responsabilidade porque as pilastras básicas da Lei de Responsabilidade Fiscal foram violadas; porque houve uma afronta à Constituição do país e um atentado contra o Poder Legislativo”, afirmou o parlamentar em seu discurso.

Senadores aliados da presidenta afastada, como Lídice da Mata (PSB-BA), saíram em defesa de Dilma. Para Lídice, o julgamento faz parte de uma “farsa”. “O impeachment é apenas um instrumento para a consumação do golpe, para entregar o poder a partidos políticos e programas derrotados nas urnas”, afirmou.

Alguns senadores, no entanto, optaram por manter o voto ainda em suspense, como Acir Gurgacz (PDT-RO), que optou por falar sobre as necessidades do país e evitou declarar como votará. “Os empréstimos dos bancos públicos e a edição de créditos suplementares, alternativas contábeis usadas pelo governo para fechar as contas de 2015, que são as questões que fundamentam este processo, são importantes e deveriam ser a base desse julgamento, mas se tornaram secundárias, na medida em que o processo se tornou mais político que jurídico”, disse.

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