Uma das mais tradicionais lojas de roupas e utensílios infantis de Belo Horizonte, o grupo Baby, foi alvo de uma mega-operação na manhã desta terça-feira (30) pela sonegação de R$ 9 milhões em impostos estaduais. Foram cumpridos 14 mandados de busca e apreensão na casa dos sócios da empresa e nas lojas do grupo, instaladas em shopping centers da capital, e, também, na sede da loja, na Savassi, região Centro-Sul de BH. 

As buscas são resultado de uma investigação do Comitê Interinstitucional de Recuperação de Ativos (Cira), que contou com a participação de três promotores do Ministério Público de Minas Gerais (MPMG), 35 servidores da Receita Estadual, 29 agentes e três delegados da Polícia Civil (PC) e da Advocacia-Geral do Estado. 

De acordo com nota divulgada pelo MPMG, durante a investigação foi apurado que a quantia milionária é referente a uma dívida tributária relativa ao não pagamento mensal do Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS). Após isso, o grupo empresarial criou então outras empresas, transferindo o faturamento das lojas devedoras para as novas constituídas em nome de laranjas.

"Para proteger o patrimônio acumulado pelos verdadeiros sócios, foram também criadas empresas de participação que receberam vários imóveis, em operações simuladas de compra e venda", completa o órgão.

A delegada Karla Hermont, do Centro de Apoio Operacional das Promotorias de Justiça de Defesa da Ordem Econômica e Tributária (Caoet), explica que o grupo criou várias empresas localizadas exatamente nos mesmos endereços onde continuavam funcionando normalmente as lojas da Baby "A empresa foi criada há mais de 50 anos e hoje quem é o dono é o filho do criador. Foi ele quem começou a criar as empresas no nome de familiares da namorada, como o sogro, a sogra, entre outros", explica. 

A operação desta terça tinha como objetivo recolher documentos e, principalmente, mídias eletrônicas e computadores. O objetivo era justamente provar a vinculação das empresas de laranjas com o grupo empresarial.

"Durante as buscas nós conseguimos fazer essa vinculação. Em um dos depósitos, inclusive, havia mercadorias separadas para cada um dos estabelecimentos. Além disso, também localizamos em um dos andares uma loja de venda on-line. Todas as mercadorias encontradas neste local estavam sem documentos de dono. Com isso, a receita estadual vai lacrar para fazer a contagem desse material", completou a delegada Karla. 

 

 A marca

Conforme informações do próprio site da empresa, as lojas Baby foram inauguradas em 1965 no Centro de Belo Horizonte, "sendo hoje referência em qualidade e atendimento no mercado de roupas infantis mineiro".

Atualmente, segundo as redes sociais do grupo, além da sede na avenida Getúlio Vargas, na Savassi, existem pelo menos outras cinco lojas em shoppings da capital e outras duas na Região Metropolitana, sendo uma em Contagem e outra em Sabará. Além da venda presencial, a empresa trabalha também com a venda on-line. 

O Hoje em Dia tentou contato por telefone, e-mail e até pelas redes sociais do grupo, entretanto, até o momento ninguém foi localizado para comentar a denúncia. 

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