Depois de encerrar as vendas com alta de 2,5% em 2018, melhor desempenho real desde 2013, o comércio prevê manter o ritmo acelerado e fechar 2019 com elevação de 3,5% na comparação com o ano passado. A projeção é do presidente da Câmara dos Dirigentes Lojistas (CDL-BH), Marcelo de Souza e Silva, durante anúncio do balanço anual, ontem, antes de tomar posse oficialmente. “Os governos têm se mostrado abertos às reformas da previdência e tributária e isso nos anima muito”, afirma o representante da entidade.

O ano de 2013 foi o último de bonança, com alta de 4,61% nas vendas. Com a crise econômica, em 2014 o índice baixou para 2,08% e, no ano seguinte, despencou para queda de 4,34%. Nova retração foi registrada em 2016, com recuo de 1,49%. Em 2017 o índice foi positivo, mas pífio, com alta de 0,86%.

Em 2018, o setor que apresentou melhor recuperação foi o de vendas de veículos e peças, com elevação de 4,6%, seguido pelos supermercados, com alta de 3,78%. Na contramão, o subgrupo papelarias e livrarias registrou aumento abaixo da média, com 1,57% de alta, e vestuário e calçados incremento de 1,74%.

Na avaliação do representante da CDL-BH, a redução do desemprego e o aumento da renda das famílias, aliados à queda na Selic (que está em 6,50%) e à manutenção dos juros no centro da meta, contribuem para a melhoria do cenário econômico.

Em dezembro, mês mais importante do ano para o comércio devido ao Natal, as vendas foram 3,59% maiores do que no mesmo período de 2017. Souza e Silva destaca que o aumento chama a atenção pelo fato de o resultado do ano retrasado ser alto, de 4,51%. “A base de comparação foi forte, indicando retomada real das vendas”, comemora. 

Os móveis e eletrodomésticos puxaram o índice para cima com aumento de 6,67% nas vendas, na comparação com dezembro de 2017. O setor de vestuário e calçados também apresentou desempenho acima da média, com elevação de 5,15%. Abaixo da média, em dezembro, ficaram o segmento de material de construção, com 2,02% de melhora, e veículos e peças, com 2,5%.

Segundo o presidente da entidade, o desempenho seria melhor se não fossem a greve dos caminhoneiros e as eleições. “O resultado para o mês foi melhor do que o projetado inicialmente, mas pior do que poderia ter sido. No início de 2018, projetamos alta de 3,01%. Porém, durante o ano as vendas aqueceram e chegamos a imaginar alta em dezembro de 4% ou 5%”, diz. 

Nos anos anteriores, no entanto, o Natal foi mais magro. De 2015 para 2016 foi registrada retração de 1,81% e entre 2014 e 2015 houve queda de 3,81%. 
Conforme a economista da CDL-BH, Ana Paula Bastos, o índice de 3,59% pode ser considerado o melhor desde 2013. “Entre 2017 e 2016 o comércio teve alta, mas no ano anterior o resultado foi muito baixo. Isso significa que a base de comparação era fraca”, explica.

Indicador de Confiança da CDL-BH aponta que o empresário está mais otimista. No último trimestre de 2018 o índice registrou 64,2 pontos crescimento, 6 pontos acima no confronto com o trimestre anterior. O indicador varia de 0 a 100 pontos, sendo que de 0 a 50 significa pessimismo e de 50 a 100 otimismo.

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