O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) fará, nesta semana, em Minas Gerais, dois grandes atos em defesa da possível candidatura à Presidência da República. Serão as primeiras grandes ações do Partido dos Trabalhadores, fora de São Paulo, em defesa da principal liderança da legenda, após a condenação de Lula em segunda-instância no caso do tríplex do Guarujá, realizada pelo Tribunal Regional da Quarta Região, no final de janeiro.

Os dois atos ocorrem na quarta-feira. Durante o dia, Lula visita um acampamento do Movimento dos Trabalhadores Sem Terra (MST) no município de Itatiaiuçu, em terreno do empresário Eike Batista. A fazenda já está ocupada pelos integrantes do MST. 

À noite, a partir das 18h, no Expominas, acontece ato público em defesa do petista. Durante as caravanas que realizou pelo Nordeste e por Minas, no ano passado, o ex-presidente já havia participado de ações junto ao MST.

“No final das contas quem vai julgar o Lula é o TSE e o STF – espero que eles tenham juízo. Se na pior das hipóteses o Lula não for candidato, não tem plano B, C ou D. Esse país entra num caos de ilegalidade que ninguém controla”, diz o integrante da direção nacional do do MST, João Pedro Stédile.

A realização do ato no Expominas também é estratégico para o PT. Minas foi o Estado escolhido pois é governado pelo PT e tem o segundo maior colégio eleitoral.

Foi considerada a necessidade de, para mostrar força, se posicionar em um terreno que não fosse neutro – inicialmente foi aventada a possibilidade de que os atos ocorressem numa cidade do Nordeste, região em que Lula tem maior popularidade.

Os petistas têm rechaçado que os eventos sejam um lançamento oficial da candidatura de Lula à Presidência, já que o partido ainda realizará prévias e também porque a legislação eleitoral só permite que campanhas ocorram a partir de agosto. 

Por outro lado, Lula e o PT assumem o discurso de que ele é pré-candidato e que não há outro nome à Presidência – embora, alternativas como o ex-prefeito de São Paulo, Fernando Haddad, e o ex-governador da Bahia, Jaques Wagner, venham sendo consideradas no jogo político, desde antes da condenação na segunda instância, e crescem com as resistências que o líder petista têm enfrentado na Justiça. 

Inicialmente, o ato no Expominas ocorreria no último dia 7, mas foi adiado já que Belo Horizonte encontrava-se em clima de Carnaval e havia o temor de não conseguir mobilizar um grande número de pessoas para o evento.

O partido planeja a realização de outros atos pelo país nos próximos meses.

CONTRA REFORMA
Além de ações em defesa de Lula na quarta-feira, CUT, MST e outros movimentos sociais planejam para hoje uma série de manifestações no país contra a votação da reforma da Previdência. Em Belo Horizonte, há concentração marcada para as 16h, desta segunda, na Praça Sete.

“O presidente da Câmara Rodrigo Maia (DEM) está analisando a possibilidade da votação a Reforma mesmo com a intervenção militar no Rio de Janeiro”, disse a deputada federal Jô Moraes (PCdoB).