A Universidade Federal de Minas Gerais deu um passo importante, na última terça-feira (19), para se tornar uma instituição mais democrática. O Conselho Universitário decidiu, por 40 votos a favor, dois contra e duas abstenções, acabar com o vestibular para a seleção de seus alunos. Termina assim, finalmente, uma tradição infeliz imposta em 1970 pelo governo militar, de forma autoritária.

A indústria do vestibular que se montou desde então e que só beneficiava a camada mais rica da população começou a ser desmontada, democraticamente, com a criação do Sistema de Seleção Unificada (Sisu) pelo Ministério da Educação, com base nas notas do Exame Nacional de Ensino Médio (Enem). Este, por sua vez, surgiu em 1998, no governo Fernando Henrique Cardoso, e foi sendo ampliado e aperfeiçoado, desde então. É um processo lento de aprendizado. A cada ano, apontam-se falhas no Enem, que são corrigidas, sempre que possível.

A adesão ao novo sistema de seleção de alunos é voluntária. Cada instituição pública de ensino superior decide, por meio de seu Conselho Universitário, a adesão total ou parcial ao Sisu. No último vestibular, a UFMG já havia aderido parcialmente. A partir de agora, a adesão é total. A universidade aplicará testes de seleção numa segunda etapa do processo, apenas para preencher vagas em cursos que exigem habilidades específicas, como música, teatro e dança.

Uma das vantagens de um sistema de seleção inteiramente aprovado em países adiantados é que o estudante não precisa se deslocar para outros municípios ou estados para fazer exames em diversas universidades, em busca de uma vaga. “É mais democrático”, resumiu o reitor da UFMG, Clélio Campolina.

Antes da UFMG, outras universidades federais, como as do Rio de Janeiro e do Ceará, tinham decidido acabar com o vestibular. Cláudio Moura Castro, um conhecido especialista em educação, acredita que a adesão da UFMG, uma universidade “bastante séria e conservadora”, abre caminho para que outras instituições adotem o sistema.

Esse avanço ocorre exatamente quando a maior universidade mineira se vê constrangida pelo comportamento atrasado de alguns alunos do curso de Direito que insistiram, apesar da proibição da UFMG, em dar trotes nos calouros aprovados no último vestibular. Pior, trotes considerados racistas ou nazistas, devidamente condenados pela reitoria e pelas entidades estudantis. É uma tradição fadada à extinção, tal como o vestibular.