Pesquisa realizada pelo instituto Viva Voz revela que a população de Belo Horizonte, apesar de ainda não ter muitas informações sobre o assunto, rejeita os principais pontos do projeto do novo Plano Diretor da capital, já aprovado em primeiro turno na Câmara Municipal. O levantamento foi encomendado pelo movimento “Mais Imposto Não BH”, que reúne diversas entidades empresariais e é encabeçado, principalmente, pela Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais (Fiemg) e pelo Sindicato da Indústria da Construção Civil de Minas Gerais (Sinduscon-MG).

O estudo aponta que apenas 2% dos entrevistados conhecem bem o teor da proposta. No entanto, foi apresentado às pessoas um pequeno texto com a explicação sobre cada tópico do projeto, para, a seguir, ser colhida a opinião. Sobre o tema “outorga onerosa”, principal assunto do novo Plano Diretor, 76% dos entrevistados disseram ser contrários ao novo imposto, que, pelo projeto, será cobrado das empresas que ultrapassarem as restrições de construção previstas nas nova lei. 

Além disso, para 64%, o impacto da outorga onerosa vai ser negativo para a economia da cidade, devido ao risco de “reduzir investimento na construção civil e gerar desemprego”. Já 20% disseram que será positivo, pois “vai aumentar a arrecadação da prefeitura”. 

De acordo com o diretor do Viva Voz, Igor Lima, o resultado já era esperado. Como coordenador de pesquisas qualitativas na campanha eleitoral do então candidato a governador Romeu Zema (Novo), ele disse que já havia identificado tendência contrária a qualquer elevação de tributos. “Nos grupos qualitativos, constatamos que os impostos são os grandes vilões que travam a economia. Agora confirmamos isso na pesquisa quantitativa”, explica. 

Em nota, a Secretaria Municipal de Política Urbana afirmou que a pesquisa não tem “qualquer representatividade sobre o índice de aprovação da proposta”, uma vez que “apenas 2% dos entrevistados dizem ter bom conhecimento sobre o Novo Plano Diretor e 83% não sabiam, sequer, que esse assunto está em discussão na Câmara Municipal”.

O levantamento mostra ainda que vereadores que apoiarem a proposta podem perder votos. A pesquisa foi realizada entre 13 e 16 de março deste ano, com 1.290 pessoas a partir de 16 anos.