Contra o contingenciamento de verbas da educação, mais de 200 mil pessoas, segundo os organizadores, tomaram as ruas de Belo Horizonte na noite desta quinta-feira (30). O ato, que teve início às 17h na praça Afonso Arinos, começou a chegar na Praça da Estação por volta das 20h. 

O trânsito ficou caótico na região central, segundo a BHTrans, uma vez que várias vias precisaram ser fechadas durante o trajeto. Nenhuma confusão foi registrada. 

Segundo a organização do ato, formada por movimentos estudantis e sindicatos da educação, eram esperadas cerca de 30 mil pessoas. "Mas, assim como no primeiro protesto - quando esperávamos 20 mil e o número passou de 200 mil - podemos ser surpreendidos", disse antes do início da manifestação Cristina Del Papa, coordenadora geral do Sindifes e servidora da UFMG. 

Segundo ela, o contingenciamento na UFMG será de R$ 65 milhões de um total de R$ 215 milhões. "Ele vai atingir o dia a dia da universidade. É o dinheiro que a gente paga os 4 mil terceirizados, contas de água, luz, compra material de pesquisa. A UFMG só consegue chegar até julho, não sabemos se vamos conseguir manter as aulas a partir de agosto", anuncia Cristina.

Após a chegada na Praça da Estação, teve início um ato cultural. No trio eletrico, acontecerão shows do bloco de carnaval Havaianas Usadas, do músico mineiro José Luiz (Graveola), DJ Russo entre outros. 

O estudante de geografia na UFMG, Tales de Oliveira, de 33 anos, conta que o temor dos alunos é que não seja possível continuar com as aulas se o contingenciamento for mantido. "Já temos alguns terceirizados que foram demitidos, a manutenção dos campus já está prejudicada e, futuramente, o próprio curso pode ser prejudicado. Por isso estamos mobilizados", defendeu.

Greve geral

No próximo dia 14 de junho, os movimentos preparam uma greve de um dia. "A educação já está garantida, amanhã (sexta) vamos ter uma plenária com todos os sindicatos e o objetivo é parar o Brasil", finalizou Cristina del Papa. 

MEC

Segundo o Ministério da Educação (MEC), o bloqueio de recursos se deve a restrições orçamentárias impostas a toda a administração pública federal em função da atual crise financeira e da baixa arrecadação dos cofres públicos. O bloqueio de 30% dos recursos, inicialmente anunciado pelo MEC, diz respeito às despesas discricionárias das universidades federais, ou seja, aquelas não obrigatórias. Se considerado o orçamento total dessas instituições (R$ 49,6 bilhões), o percentual bloqueado é de 3,4%.

O MEC afirma também que, do total previsto para as universidades federais (R$ 49,6 bilhões), 85,34% (ou R$ 42,3 bilhões) são despesas obrigatórias com pessoal (pagamento de salários para professores e demais servidores, bem como benefícios para inativos e pensionistas) e não podem ser contingenciadas.

De acordo com o ministério, 13,83% (ou R$ 6,9 bilhões) são despesas discricionárias e 0,83% (R$ 0,4 bilhão) para cumprimento de emendas parlamentares impositivas – já contingenciadas anteriormente pelo governo federal.

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