As famílias de Belo Horizonte estão cada vez mais endividadas. Pesquisa divulgada pela Fecomércio-Minas mostra que a escalada das dívidas alcançou, em junho, 78,5% dos entrevistados – contra 67,7% em janeiro. O levantamento tem outros dados alarmantes: os lares inadimplentes já são 35,2% e os que não terão condições de quitar as dívidas representam 16,8%.

Além do endividamento, preocupa o tanto que ele compromete o orçamento: atinge até 50% da renda mensal em 81,3% dos casos e ultrapassa a metade dela para 21,3% dos entrevistados. Dos lares com contas em atraso, em 47,3% a inadimplência já ultrapassa três meses. 

Este é o sufoco vivido por Júlio César Evangelista Alves, de 37 anos. Depois de ficar desempregado por oito meses, o instrumentador cirúrgico viu os compromissos se acumularem. Algumas contas – como as prestações de um terreno e as mensalidades da faculdade – ficarem em atraso. Agora, já trabalhando novamente, ele quer primeiro quitar o cheque especial e o cartão de crédito, para depois renegociar o que está em aberto. 

“Hoje o que mais me pesa é pagar os juros do cheque especial, que são muito altos e acabam comprometendo parte da renda que poderia ser usada para renegociar dívidas que ficaram para trás”, destaca Júlio, que precisaria de cerca de R$ 10 mil para colocar as contas em dia.

Depois do cartão de crédito, os principais fatores de endividamento são os carnês(20%), seguidos pelo financiamento de veículo (10,7%), crédito pessoal (6,9%) e cheque especial (6,8%)

 

Cartão de crédito 

A pesquisa, que retrata o comprometimento da renda familiar com financiamento de imóveis, carros, empréstimos, cartões de crédito, lojas e cheques pré-datados, além da capacidade de pagamento dos consumidores, aponta ainda que o cartão de crédito continua sendo o principal fator de endividamento – com 77,8%. 

Para a economista da Fecomércio-MG Gabriela Martins, o achatamento da renda das famílias aliado à inflação acaba fazendo com que os consumidores usem o cartão e outras linhas de crédito pessoal para manter o consumo de itens básicos. 

“As pessoas não estão mais se endividando para comprar bens, estão usando estas linhas de crédito para comprar comida, manter as necessidades básicas. Neste momento, é preciso saber como usar cada limite, para não perder o controle do orçamento e ficar em uma situação de falência”, alerta.

Além disso:

A situação das famílias endividadas e inadimplentes pode se agravar ainda mais, em função da alta da inflação e também de itens básicos, como combustíveis e gás de cozinha. 

A previsão do mercado financeiro para o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA, a inflação oficial do país) deste ano subiu de 5,97% para 6,7%, segundo o Banco Central. O BC usa como principal instrumento para traçar a meta de inflação a taxa básica de juros, a Selic, fixada em 4,25% ao ano pelo Comitê de Política Monetária (Copom).

Além disso, a Petrobras anunciou nesta segunda-feira (5) o aumento dos preços da gasolina, do diesel e do gás de cozinha (GLP) a partir de hoje. Os reajustes, alega, acompanham a elevação nos patamares internacionais de preços de petróleo e derivados. 

Para a gasolina, o aumento médio será de R$ 0,16 (6,3%), elevando o litro do combustível de R$ 2,53 para R$ 2,69 nas refinarias. O diesel terá reajuste médio de R$ 0,10 (3,7%) por litro, passando a R$ 2,81. Já o GLP custará R$ 3,60 por kg, refletindo aumento médio de R$ 0,20 por kg.

 

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