As delações de executivos da Odebrecht e da JBS na operação “Lava Jato” apontam que o senador afastado Aécio Neves (PSDB-MG) teria recebido cerca de R$ 130 milhões em propina, incluindo recursos para custear a própria campanha à Presidência da República em 2014. 

Na colaboração com o Ministério Público, o diretor de Relações Institucionais e de Governo da JBS, Ricardo Saud, disse no último dia 7 que o grupo pagou R$ 80 milhões para o então candidato do PSDB à sucessão no Planalto. Já a Odebrecht teria repassado R$ 50 milhões ao tucano, segundo as investigações.

Principal braço direito de Joesley Batista, dono da JBS, nas negociações com políticos do governo ou da oposição, Saud não deu detalhes sobre a forma do repasse a Aécio Neves, mas disse que as “questões” eram na maioria das vezes “ilícitas”. 

O delator contou que Joesley sempre “correu” do candidato. “Ele (Aécio) continuou pedindo mais dinheiro após a campanha”, disse. Saud ainda contou que um homem de prenome Fred era o interlocutor de Aécio para receber o dinheiro, sempre em um shopping center movimentado.

O dinheiro era guardado por Fred numa mochila de cor preta. A pessoa próxima a Aécio conhecida por Fred é o primo dele, Frederico Pacheco de Medeiros, preso no âmbito das investigações na última quinta-feira.

O delator ainda contou que pagava “propina” a dois intermediários de Eduardo Cunha, Altair e Lúcio Funaro.

Os executivos Marcelo Odebrecht e Henrique Valladares, da Odebrecht, afirmaram em delação premiada que Aécio Neves recebeu R$ 50 milhões para defender os interesses da empreiteira nas obras das hidrelétricas de Santo Antônio e Jirau, no Rio Madeira, em Rondônia no Congresso. A propina teria sido acertada em 2008, quando o senador afastado era governador de Minas Gerais.

Resposta

Por meio de nota, a assessoria de imprensa de Aécio Neves informou que são “mentirosas as declarações feitas pelo delator Ricardo Saud, diretor da JBS, de que houve pagamento de R$ 80 milhões da empresa para a campanha presidencial do PSDB em 2014”.

A nota esclarece ainda que “um total R$ 50,2 milhões foram doados pela empresa ao comitê financeiro nacional e à Direção Nacional do partido em 2014. Desse total, R$ 30,44 milhões foram repassados para a campanha presidencial e encontram-se devidamente registrados na prestação de contas do partido”.

Esclarece ainda que “todos os recursos da JBS recebidos pelo PSDB foram doação oficial, sem qualquer tipo de contrapartida ou uso de dinheiro público”.

Odebrecht

Em relação aos supostos repasses mencionados pelo ex-presidente da Odebrecht referentes à área de energia, a nota esclarece que “os delatores foram unânimes nas declarações de que doações eleitorais feitas ao senador Aécio Neves não envolveram nenhum tipo de relação ilícita, propina ou contrapartida”. 

Registramos ainda que as obras das usinas hidrelétricas de Santo Antônio e Jirau foram licitadas pelo governo federal, do PT, não havendo, portanto, nenhuma participação do governo de Minas”, esclarece a assessoria.

“As delações da Odebrecht à campanha presidencial do PSDB também estão disponibilizadas na Justiça Eleitoral”, enfatiza a nota.

*Com agências

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