A Praça da Liberdade na região Centro-Sul de Belo Horizonte foi tomada na manhã deste domingo (26) por manifestantes vestidos em verde e amarelo favoráveis ao governo de Jair Bolsonaro (PSL). As principais causas defendidas são a Reforma da Previdência, o pacote anticrime de Sergio Moro e o apoio às medidas propostas pelo presidente da República.

As manifestações de apoio estão agendadas para cerca de 350 cidades brasileiras neste domingo. A maior parte dos protestos deve começar a partir das 14 horas.

Na Praça da Liberdade, as pautas estampam várias faixas de protesto, como a do publicitário aposentado Geraldo Trindade, que trazia os tópicos "Pacote anticrime, voto nominal da MP 870, Reforma da Previdência, Lava Toga". Trindade defendeu que Bolsonaro seja mais enérgico no governo e faça valer sua vontade de implantar as medidas prometidas durante a campanha. "Está maravilhoso aqui. É a terceira vez que venho em manifestações como esta e hoje é o dia mais cheio. Temos que ter sempre manifestações como esta para demonstrar nosso apoio ao presidente", afirmou.

Vários movimentos reuniram pessoas pró-governo na praça, entre eles o Patriotas. Júlio Hubner, um dos fundadores do grupo, afirmou que os ativistas sempre lutaram por um país melhor. "A gente vê que, hoje, o Congresso Nacional está defendendo pautas dos próprios políticos ao invés de defender os interesses do povo. Por isso estamos aqui, nós acreditamos que o Brasil precisa de uma nova previdência e acabar com o crime organizado dentro do próprio meio político. Por essa razão somos a favor do pacote anticrime do ministro Sérgio Moro", defendeu.

Pelo menos três trios carregavam organizadores dos movimentos, que discursavam sobre as reivindicações do protesto. Em um deles, o organizador chegou a afirmar que 15 mil pessoas participavam da manifestação. A PM não fez estimativa do público.
 
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O pastor Gilson Duarte também defendeu a Reforma da Previdência e afirmou que como qualquer brasileiro, quer um Brasil melhor. "Eu não votei em centrão, eu não votei em bloco, eu votei em um candidato pra me representar, e quem é presidente do Brasil é Jair Messias Bolsonaro e não a Câmara. Queremos um Brasil melhor e sabemos que é o que o presidente também quer", afirmou.
 
O administrador de empresas Carlos Renato Quadros, 63, contou que a manifestação é uma grande oportunidade de externar seu patriotismo e indignação pelo que o Brasil está passando. "Fui criado nesse ambiente do militarismo, com respeito a pátria, à ordem, à família, e essa é a oportunidade que eu encontrei para demonstrar meu apoio ao Bolsonaro", contou.

Os manifestantes vestem roupas verde e amarelo, camisas da Seleção Brasileira de futebol, e carregam bandeiras e balões. Uma bandeira do Brasil gigante foi estendida pelos manifestantes. Os presentes cantaram o hino nacional algumas vezes. Ambulantes aproveitam o protesto para lucar e vendem camisas em apoio a Bolsonaro, bandeiras do Brasil e faixas com a hastag "Ele sim" e dizeres como "É bom Jair se acostumando". 

PSL

Os protestos não tiveram apoio oficial do PSL, partido do presidente. Os filiados foram liberados para decidirem se iriam ou não às ruas.  A deputada Joice Hasselman (SP) rechaçou a ida às manifestações, assim como outras figuras conhecidas da legenda, como a deputada estadual Janaína Paschoal. O Movimento Brasil Livre (MBL) e o Vem Pra Rua, que apoiaram Bolsonaro nas eleições, também optaram pela não participação dos protestos.
 
Um dos pontos polêmicos foram as críticas ao Supremo Tribunal Federal (STF) e aos políticos do chamado "Centrão", grupo formado por cerca de 200 parlamentares de legendas como PP, DEM, MDB e Solidariedade. Segundo os manifestantes, eles têm dificultado a aprovação de temas de interesse da presidência. 
 
Popularidade

Os atos neste domingo podem significar um teste de popularidade para o presidente. Última pesquisa Ibope encomendada pela CNI (Confederação Nacional da Indústria) indicou que Bolsonaro é aprovado por 35% dos brasileiros, a pior avaliação, em 24 anos, para um presidente em início de mandato. 
 
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