Assim como em outras capitais do país, milhares de manifestantes protestam contra as reformas Trabalhista e Previdenciária, nesta sexta-feira (30), em Belo Horizonte. Parte do grupo, envolvendo principalmente atores ligados à CUT-MG, se concentrou na manhã na Praça da Estação e, por volta das 11h, seguiu em marcha até a Praça Sete, onde se encontrou com representantes de movimentos sociais e outras centrais sindicais, como CTB, Conlutas e Força Sindical.

Da Praça Sete, parte do grupo seguiu em direção à Assembleia Legislativa, onde ocorrerá, às 15h, uma audiência pública sobre a Reforma da Previdência. 

O ato reune representantes de diversas categorias, como bancários, carteiros, profissionais da construção civil e professores universitários.

"Estamos nas ruas para lidar com um problema político direto. Toda lei precisa ter uma base moral sólida e os representantes que estão no Congresso lidando com as reformas não têm condições de lidar com esses projetos. É preciso abrir mais o debate sobre as propostas", afirma o carteiro Anísio de Souza Augusto, que ajuda a empunhar uma faixa com os dizeres "Correios em Greve".

Até representes de setores evangélicos contrários às reformas. "De certo modo, as reformas em tramitação são parte de um processo de empobrecimento do povo brasileiro. Qualquer coisa que fira o povo deve nos envolver enquanto cristãos e evangélicos", diz José Barbosa Jr., da Frente de Evangélicos pelo Estado de Direito.

"Busco participar de todos os atos contra as reformas trabalhista e previdenciária, já que é nosso futuro que está em jogo", afirma a estudante Maria Fernanda Fagundes, 16 anos.

"Estamos fazendo o exercício de estar todos os dias nas portas das agências bancárias para que entendam que não é apenas uma reforma trabalhista, mas sim que o fim dos direitos trabalhistas é o que está em jogo", coloca Eliana Brasil, presidente do Sindicato dos Bancários de BH.

Para a presidente da CUT-MG, Beatriz Cerqueira, o movimento tem cumprido seu objetivo, principalmente pelo fato de que houve grande coerção por parte do empresariado contra os trabalhadores que pararam na última greve, no final de abril.

"Se esforçaram muito para evitar novas manifestações. Um exemplo disso são as multas contra sindicatos da área de transportes", afirma Beatriz.
A sindicalista ainda reclamou que a Polícia Militar teria multado carros dos sindicatos, inclusive carros de som, que estão na manifestação. "Não é preciso alvará para se manifestar em BH, e mesmo que fosse preciso, a multa é algo que não faz sentido".

Politicos de partidos de esquerda, como o secretário de Direitos Humanos, Nilmário Miranda, a deputada federal Jô Moraes (PCdoB) e o deputado estadual Rogério Correia (PT) também se posicionaram nos carros de som, durante o ato.

Durante a manifestação, em diversos momentos houve interrupção do trânsito nas Avenidas Amazonas e Afonso Pena, nas ruas da Bahia, dos Tamóios, e nas proximidades.

Confira vídeo sobre a concentração dos manifestantes: