A delação fechada entre o operador do mensalão Marcos Valério e a Polícia Federal (PF) poderá ser homologada no Supremo Tribunal Federal (STF) nos dez primeiros dias de agosto. Essa é a previsão do advogado Fáber Genésio Vieira, que assumiu a defesa de Valério em setembro do ano passado, para dar celeridade à validação do acordo.

Na última quinta-feira, o advogado esteve na sede da PF em Belo Horizonte, no bairro Gutierrez, para anexar resposta à manifestação da Procuradoria Geral da República (PGR), que se manifestou contra os acordos de delação firmados com a polícia. 

“Estamos reiterando em manifestação ao ministro Celso de Mello os pontos colocados no acordo e a probabilidade de se efetivarem. É uma manifestação curta, de praxe, uma vez que ele vai julgar a validade do acordo”, diz o advogado Fáber Vieira.

Ainda segundo o defensor de Valério, o ministro Celso de Mello, relator do caso no STF, aguardava o julgamento sobre a legitimidade da PF para celebrar acordos de delação. Com a autorização da Corte, mês passado, para que sejam reconhecidas as delações entre autoridades policiais e suspeitos, a expectativa é a de que a homologação do depoimento de Marcos Valério aconteça em breve. 

“O ministro garantiu que, caso a legitimidade da PF fosse aprovada, como foi, ele não delongaria a análise para homologar a delação. Agora, esperamos para os primeiros dez dias de agosto, na previsão do ministro”, diz o advogado.

Antes de fechar a delação com a PF, Marcos Valério tentou acordos com o Ministério Público (MPMG) e a PGR, mas os dois órgãos se recusaram a ouvir o publicitário. Após a delação com a PF, Valério conseguiu ser transferido da Penitenciária Nelson Hungria, em Contagem, para a Associação de Proteção e Assistência ao Condenado (Apac) Sete Lagoas. Uma eventual redução de pena em troca da colaboração, porém, ainda será decidida pela Justiça.

Denúncias

Condenado a 37 anos, cinco meses e seis dias de prisão em regime fechado, Marcos Valério é acusado de peculato, corrupção ativa, lavagem de dinheiro e fraude contra o sistema financeiro.

Nos relatos feitos à PF, o publicitário apresenta detalhes do caixa dois montado por suas agências de publicidade, como a SMP&B, para realizar os desvios de verba em contratos assinados com administrações públicas. 

Valério promete revelar novas acusações que afetariam o meio político, empresarial e jurídico, conforme já adiantou às autoridades.