Reza a lenda que num belo dia, no início dos anos 1990, Ayrton Senna aconselhou Ron Dennis a não levar adiante o projeto do McLaren F1. Segundo o piloto brasileiro, o projeto iria comprometer o desempenho da equipe na Fórmula 1, que vivia um momento espetacular.

Dennis, convicto do sucesso de seu supercarro, negou o conselho de Senna e deu sinal verde para Gordon Murray tocar o projeto. Dito e feito: Senna conquistou seu tricampeonato em 1991 (o quarto título consecutivo da McLaren) e a partir daí a coisa desandou.

O F1 foi lançado em 1993, a equipe voltou a ser campeã em 1998, com Mika Hakkinen, e depois disso tornou-se uma escuderia miúda. Por outro lado, o negócio de carros engrenou a partir 2011, quando lançou o MP4-12C para disputar espaço no milionário nicho de esportivos de luxo. E de lá para cá, os negócios só crescem.

Agora, a McLaren acaba de lançar o Artura, que chega para o primeiro híbrido de série da marca. Isso porque o P1, que combinava V8 biturbo com módulo elétricos, foi um carro de tiragem limitada, assim como o futurista Speedtail. 

Com o novo modelo, a marca busca entregar eficiência e performance para qualquer mortal com alguns milhares de euros sobrando. O Artura chega para se estabelecer como pioneiro entre os supercarros híbridos de série. 

Visual

O Artura tem estilo que remete aos modelos da marca. Trata-se de um cupê, de dois lugares, com motor central traseiro. Até aí nada de novo. Mas seu visual segue uma linha mais serena, como no GT e menos exótica que modelos como Senna, Elva, Sabre e até mesmo o “básico” 540C. 

Como é de costume, as portas são do tipo tesoura. Mas o Artura tem um foco mais amigável que os Maccas mais nervosos. 

Interior

Por dentro, sofisticação e refinamento. Apesar de a marca se preocupar com o peso do carro, que utiliza monocoque de fibra de carbono e materiais leves em toda carroceria, é um caro que veste bem por dentro.

O acabamento é caprichado, em couro e fibra de carbono. O motorista tem sistema de áudio com caixas posicionadas acima dos puxadores de porta (para dar conta de “competir” com o motor urrando na nuca dos ocupantes).

Também oferece quadro de instrumentos digital, um generoso multimídia vertical com controle de climatização e diversos outras funções e espaço que não é tão exprimido como nas séries de alta performance, como o Senna. 

Motor 

É equipado com uma unidade V6 biturbo 3.0 de 585 cv e 58,5 mkgf de torque. Inclusive é mais potente que a versão de entrada do V8 3.8, que entrega 570 cv. No entanto, a unidade é combinada com módulo elétrico de 95 cv e 22,9 mkgf de torque. Assim, a potência final salta para 680 cv e seu torque vai a 73,4 mkgf.

Ou seja, números que fazem esse McLaren mais potente que um Lamborghini Huracán LP 640-4 e um Porsche 911 Turbo S (992). Ele ainda não consegue superar os 720 cv da Ferrari F8 Tributo, e nem mesmo os números de aceleração do cavallino.<EM>

Dieta

Mais leve, o motor pesa cerca de 160 quilos, assim como na nova transmissão de dupla embreagem e oito marchas, batizada de HPH com acionamento elétrico. Tudo isso permitiu que o Artura tivesse peso seco de 1.395 kg.

O regime é necessário, uma vez que o pack de baterias eleva consideravelmente a massa de qualquer carro híbrido ou elétrico. E para não comprometer a performance e nem a distribuição de massas, as pilhas foram instaladas no centro do Artura, abaixo dos bancos e a parede corta-fogo.

Apesar de seu motor elétrico ter sido desenvolvido para auxiliar a unidade a combustão, a Mclaren afirma que o Artura pode rodar até 30 quilômetros apenas com eletricidade. Inclusive pode ter suas baterias de íon de lítio de 7,4 kWh carregadas na rede elétrica em menos de três horas.

E mesmo querendo bancar uma de Toyota Prius, o Macca híbrido acelera de 0 a 100 km/h em 3,0 segundos e atinge máxima de 330 km/h. Tudo isso com menor impacto ambiental.