Além de atrair turistas de todo o país, o crescente Carnaval de Belo Horizonte também chama a atenção de empreendedores locais, que veem na Festa de Momo uma excelente oportunidade para ganhar um dinheiro extra. Artesãos, maquiadores, vendedores e motoristas de aplicativos são alguns dos que esperam aumentar o faturamento durante a folia.

Neste ano, a festa da capital mineira será 20% maior do que no ano passado, segundo a Belotur, com a participação de 4,5 milhões de foliões. Para abastecer a multidão, o número de vendedores ambulantes também subiu: pelo menos 13 mil credenciados vão vender bebidas e adereços carnavalescos, 36% a mais que em 2018. Serão 23 dias de eventos oficiais, entre 16 de fevereiro e 10 de março, com mais de 550 blocos de rua em todas as regiões da cidade.

A bióloga e fotógrafa Gabriela Leles, de 26 anos, decidiu aproveitar o Carnaval para gerar uma renda extra. Foliã de carteirinha, ela já fabricava as próprias fantasias por hobby. Neste ano, resolveu colocar os produtos à venda. “Muitas pessoas perguntaram, em carnavais passados, onde eu tinha comprado as roupas. Então pensei que poderia ser uma boa forma de ganhar um dinheiro extra nesta crise”, diz ela. 

Junto com uma amiga, Gabriela produz arcos, colares e brincos, com preços que variam entre R$ 20 e R$ 60. A expectativa é vender pelo menos 20 itens até o Carnaval. “Já começamos a vender o estoque e também estamos aceitando encomendas”, conta.

A designer Carolina Oliveira de Paula Henschke, de 27 anos, também vai aproveitar a folia para lançar o próprio negócio. Na próxima quarta-feira, ela vai inaugurar a loja virtual Mauve Store, de roupas e acessórios, com a primeira coleção 100% destinada ao Carnaval.  “Teremos 65 bodys, tops, shorts, hot pants e brincos prontos, e outros mais para fazer sob encomenda. Minha expectativa é faturar cerca de R$ 6 mil”, diz. 

Para Carolina, o fato de as atrações do Carnaval de BH serem gratuitas ajuda a impulsionar ainda mais a economia nesta época. “Como as pessoas não precisam gastar com ingresso, sobra mais dinheiro para investir na fantasias, maquiagens, alimentação e bebidas”, acredita. 

O motorista de aplicativo Wanderson Marques também tem uma meta audaciosa. Ele pretende trabalhar de 8 horas até meia-noite e faturar uma média de R$ 400 por dia de folia, o dobro dos R$ 200 que costuma tirar em dias comuns. 

“A cidade vai estar lotada, todo mundo querendo beber, muitos não sabem andar em BH, o trânsito fica interditado, é inviável sair em carro próprio. Por isso os motoristas estão com a expectativa muito boa”, afirma. No ano passado, Wanderson trabalhou vendendo cerveja e conseguiu faturar R$ 1.500 durante o feriadão.

Já a maquiadora Tatiane Maria da Silva, de 33 anos, vai aproveitar a folia para divulgar o trabalho de maquiagens artísticas e aumentar o faturamento durante o ano todo. 

“No Carnaval existem foliões que levam a sério a ideia de se fantasiar. E aí o nosso trabalho faz muito sucesso”, conta ela. As produções, que levam em conta a criação do personagem e faz uso de recursos com lentes de contato e adereços customizados, custam em torno de R$ 150. Já as versões mais básicas, que levam glitter, estrelas, brilhos e cores, saem por R$ 100. “Espero atender cerca de três clientes por dia de festa”, projeta Tatiane.
 

 

Hotéis da região Centro-Sul esperam lotação máxima na folia 

A rede hoteleira de Belo Horizonte está otimista com a folia na capital mineira e a expectativa é de alcançar lotação máxima nos empreendimentos localizados na região Centro-Sul, especialmente nos dias considerados “de pico”: sábado, domingo e segunda-feira. 

Conforme a Associação Brasileira da Indústria de Hotéis de Minas Gerais (ABIH-MG), as reservas feitas nos hotéis da região já indicam lotação entre 80% e 90%. A taxa média em todas as regiões da cidade deve ficar em torno dos 80%, crescimento de 15% em relação ao ano passado. 

De acordo com a Belotur, pesquisa feita com usuários do buscador Google apontou que Belo Horizonte já é o segundo destino mais procurado para a folia no Brasil, à frente de Rio de Janeiro e São Paulo e atrás apenas de Salvador.

Com a procura maior, as diárias por aqui subiram. O preço médio no ano passado girou em torno de R$ 165 na região Centro-Sul, tarifa 10% menor do que o valor cobrado neste ano (R$ 180). 
Seguindo a tendência de alta, o tempo de hospedagem também será prorrogado, conforme as projeções do setor, subindo de dois dias e meio, no ano passado, para quatro dias neste ano. 

Em meio a uma das piores crises enfrentadas pelo setor hoteleiro na capital mineira, com fechamento de empresas, grande concorrência, prejuízos e demissões, o crescimento do Carnaval caiu como uma luva, segundo Pollyanna Sousa, diretora da ABIH-MG. 

“A hotelaria em Belo Horizonte vem sofrendo queda na ocupação e no preço médio de diária desde 2014, em função do aumento exagerado de oferta e do momento de crise. Ainda vai levar um bom tempo para o segmento se recuperar, mas eventos como o Carnaval contribuem muito para mudar o cenário”, afirma. 

O consultor em hotelaria e turismo Maarten van Sluys, da JR & MvS Consultores, também acredita que a visibilidade que a folia belo-horizontina vem ganhando deve impulsionar o turismo por aqui em outras épocas do ano.  “O fato de Belo Horizonte ficar em evidência durante a cobertura jornalística do Carnaval contribui para fortalecer a imagem da cidade no resto do país e acaba atraindo mais turistas interessados em conhecer”, acredita. E mais turistas significam mais demanda por serviços e mais geração de renda para a população.