Medo da pandemia de Covid leva a 'boom' em planos de saúde em Minas

Leíse Costa
leise.costa@hojeemdia.com.br
30/11/2021 às 08:12.
Atualizado em 08/12/2021 às 01:10
 (Fernando Michel/Hoje em Dia)

(Fernando Michel/Hoje em Dia)

 O medo de adoecer na pandemia e precisar de cuidados médicos e hospitalares levou milhares de brasileiros a encarar a alta no custo de vida, apertar o cinto e contratar um plano de saúde. Em todo o país, os planos de saúde privados ganharam, entre junho de 2020 e setembro de 2021, cerca de 1,9 milhão de novos beneficiários. Em Minas Gerais, o incremento na base de usuários chegou a 239,9 mil, de setembro de 2020 a setembro deste ano, equivalente a 4,7% no período. O Estado tem agora 5,3 milhões de pessoas com acesso a plano de saúde, o que representa 27,1% da população. 
 Em BH, a taxa de cobertura das operadoras de saúde, que era de 48% em dezembro de 2019, antes da pandemia, subiu para 51,6%, em setembro deste ano. Todos os dados são da ANS (Agência Nacional de Saúde Suplementar).
 Conforme Vera Valente, diretora executiva da Federação Nacional de Saúde Suplementar (FenaSaúde), as operadoras privadas vinham perdendo beneficiários desde 2016 devido à crise econômica, mas, à medida em que a pandemia de Covid-19 se instalava no país, o quadro mudou. 
 “Desde junho de 2020 os planos de saúde registram aumento. Fica claro, portanto, que a crise sanitária teve um peso importante na decisão de aderir a planos de saúde”, diz.
 Para ela, outros fatores explicam o aumento registrado. “De um modo geral, houve crescimento em praticamente todos os Estados brasileiros, o que demonstra a preocupação dos brasileiros com a saúde”, avalia.
 Cobertura familiar
 Preocupado com a ameaça de novas cepas do coronavírus e aproveitando uma oferta de adesão com descontos para sua categoria profissional, o engenheiro civil Gilvan Ferreira, de Belo Horizonte, decidiu há quatro meses contratar um plano de saúde para toda a sua família.
 “Só o meu primeiro filho tinha plano de saúde desde que nasceu, mas eu e minha esposa, não. Agora, consegui um que atendia a nós dois e meu caçula quase pelo mesmo preço que pagaria apenas para as duas crianças se não fosse o desconto”, afirma.
 Segundo o engenheiro, mesmo considerando a pandemia, o que possibilitou o plano foram os valores mais em conta. “Parte foi por causa do medo de outras ondas do novo Coronavírus, mas o que mais pesou no final foi a questão financeira. Particular, era impossível, mas com os valores da cooperativa o preço caiu 40%, por isso mudei de ideia”, diz. 
 Para não perder as carências já pagas no plano do primogênito, o engenheiro conseguiu realizar a portabilidade para novo contrato. Teleatendimento
 O levantamento da FenaSaúde mostra também que a busca pelo teleatendimento disparou na pandemia. Conforme o estudo, de março de 2020, quando a OMS (Organização Mundial de Saúde) reconheceu oficialmente a instalação da pandemia de Covid-19, e setembro de 2021, foram realizadas 5,8 milhões de consultas a distância pelas operadoras de planos de saúde.

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