A crise energética e o risco de apagão em todo o país fizeram com que o mercado de geradores de energia elétrica registrasse um aumento significativo na procura por estes equipamentos. Dados da Associação Brasileira da Indústria de Máquinas e Equipamentos (Abimaq) mostram que as vendas destes equipamentos tiveram um incremento de 129,27% no 2º trimestre deste ano em relação ao mesmo período do ano passado. No entanto, a falta de insumos pode acabar freando as entregas.

Para o economista Marcos Marçal, da Federação das Indústrias de Minas Gerais (Fiemg), a maior demanda destes equipamentos se dá, principalmente, para que as indústrias evitem a paralisação dos parques produtivos. “Esses equipamentos não são comprados para trocar o modo de gerar a energia, mas sim evitar paralisações no fornecimento de energia, principalmente nos horários de maior demanda”, explica.

Dificuldades

Em média, os equipamentos são oferecidos no mercado entre R$ 8 mil – no caso de pequenos geradores residenciais – até R$ 300 mil – como os usados por indústrias. Com a demanda maior, a indústria de geradores já tem enfrentado dificuldades para suprir os consumidores, que vão desde pessoas físicas a grandes indústrias. Na maioria das empresas que fabricam e vendem o equipamento, a lista de espera já faz com que a garantia de entrega chegue ao fim do 1º trimestre de 2022.

De acordo com Reinaldo Sarquez, presidente da Câmara Setorial de Motores e Grupos Geradores da Abimaq, o maior problema enfrentado pelo setor está relacionado às dificuldades enfrentadas na cadeia de suprimentos que impedem a produção rápida dos geradores, como a falta de aço, silício e motores. “Além de tudo isso, há um problema sério de logística para trazer muito destes insumos do exterior para o Brasil. A maioria destes produtos vêm da China, que foi o primeiro país a sentir os efeitos da pandemia e, até o momento, não conseguiu retomar os níveis de produção e escoamento”, disse Sarquez.

Pedidos

Em meio à explosão na procura pelos geradores de energia, muitas empresas que produzem os equipamentos tiveram que se preparar para conseguir atender a demanda dos consumidores. Uma das empresas que produzem geradores na Grande BH, a MS Geradores, que fica no bairro Cachoeirinha, investiu mais de R$ 2,5 milhões somente na compra de motores para garantir a produção. “Hoje, quem precisa encomendar um gerador entra numa lista de espera que pode chegar a dezembro de 2022. Se não tivéssemos nos preparado e estocado motores, não daríamos conta de atender os clientes”, afirma Francisco José Ribeiro da Costa, gerente de vendas da MS Geradores, que teve acréscimo de mais de 100% nos pedidos.

Um dos compradores foi o empresário Eduardo Cirino, dono de uma metalúrgica em Contagem, na Grande BH. Para conter as quedas de energia em sua fábrica, Cirino investiu aproximadamente R$ 200 mil na compra de um gerador. “Fiz a reserva em abril e recebi o equipamento em agosto. Se tivesse esperado um pouco mais, ficaria a mercê da entrega e da elevação dos preços”, disse.