A cada dez comerciantes de Belo Horizonte, oito informam que não irão abrir vagas para temporários nos últimos meses do ano, como costuma acontecer com a proximidade do Natal. Os dados são de uma pesquisa da Câmara de Dirigentes Lojistas da capital (CDL/BH) e indicam que a redução na intenção de ampliar o número de colaboradores é de mais de 30%, em relação ao final de 2019. 

Já para todo o Estado, um segundo levantamento, feito pela Federação do Comércio de Minas (Fecomércio-MG), aponta situação pior: praticamente, apenas um a cada dez empresários (11,4%) pretende aumentar a quantidade de pessoal para fazer frente às vendas no final de 2020.

“A diminuição (em BH) é consequência da paralisação das atividades comerciais durante a pandemia. Mesmo com a reabertura das lojas, ainda não é suficiente para alavancar, de forma significativa, a confiança dos empresários a ponto de contratar”, avalia o presidente em exercício da CDL/BH, José Angelo de Melo. 

Em números mais precisos, o levantamento mostra que, este ano, somente 18% dos lojistas entrevistados afirmam que irão contratar. Já 79,6% não vão aumentar o quadro de funcionários. Ao comparar a intenção de contratação com o ano anterior, observa-se, aproximadamente, uma queda de 34,3%. 

Dentre os principais motivos alegados pelos lojistas para a não contratação, o destaque é o entendimento de que o quadro atual de pessoal atende a demanda (39,3%). Também há os que apontam queda nas vendas (32,7%) e a própria pandemia (17,3%) como motivos para não reforçar o quadro funcional.
</CW>Outro dado desanimador é sobre a possibilidade de efetivação de novos funcionários pelos comerciantes. Metade dos que vão precisar de temporários considera tal chance como baixa (28,9%)c ou muito baixa (21,1%). As vagas ofertadas, segundo as entrevistas com 211 lojistas, feitas de 13 a 22 de outubro, são sobretudo para os cargos de vendedor (73,7%), caixa (31,6%), fiscal/vigia (21,1%) e atendente (15,8%). As maiores dificuldades para contratação de temporários, segundo os empresários, são “falta de profissionalismo e responsabilidade” (55,3%) e “pouca experiência” (21,1%). Os custos representam 5,3% e 7,9% afirmam não ver dificuldades para contratação.

 

Mesmo quem pretende contratar anuncia que a quantidade será inferior à registrada em 2019

Representante da minoria de lojistas que pretende contratar temporários este ano em BH, o empresário Altair Rezende, dono da loja de brinquedos Brinkel, no bairro Padre Eustáquio, Noroeste da capital, diz que seguirá uma tradição: a de reforçar o plantel do estabelecimento com a proximidade do Natal. 

Mas o número de novos funcionários, segundo ele, será menor que em outras ocasiões. “Vamos selecionar os temporários a partir de 15 de novembro para que comecem em dezembro. Só que, desta vez, devemos reduzir em 10% a quantidade de extras que, em outros tempos, já chegou a 100 pessoas”, diz Rezende, referindo-se a um período em que, além de vender brinquedos, a Brinkel atuava forte no setor de material escolar.
Hoje, diz Rezende, são 12 colaboradores fixos e 30 devem se juntar à equipe para o Natal. “Não posso reclamar das vendas, mas é preciso fazer uns ajustes”, justifica.
Na contramão da expectativa de queda nas contratações, o Sindilojas-BH comunica que haverá, este ano, 3 mil vagas para a temporários nas mais de 30 mil empresas locais do segmento. 

E com uma novidade: candidatos terão acesso às vagas sem sair de casa e lojistas poderão fazer entrevistas e contratação também pela via digital, graças a uma parceria com a Taqe – plataforma de recrutamento e seleção. “Além disso, o candidato pode fazer cursos on-line, o que facilita muito na hora de ser contratado”, diz o presidente da entidade, Nadim Donato. Empresas e candidatos interessados podem se cadastrar através do site:https://www.taqe.com.br/vagas-bh.