Com as medidas de isolamento social recomendadas pelo Ministério da Saúde, além de governos estaduais e municipais em função da pandemia do coronavírus, o mercado de automóveis foi fortemente impactado. Segundo a Federação Nacional da Distribuição de Veículos Automotores (Fenabrave), o setor registrou queda de 19,1% em março, no comparativo com fevereiro.

O total de emplacamentos foi na ordem de 155.810 unidades, no combinado entre carros de passeio e comerciais leves. Em fevereiro, tradicionalmente um mês fraco devido ao calendário menor e também por conta do Carnaval, o setor anotou 192.627. No acumulado dos primeiros três meses do ano, comparados com 2019, os licenciamentos caíram 8,2%.

“Nosso setor, que representa 4,5% do PIB e gera, diretamente, mais de 315 mil empregos, por meio de 7,3 mil concessionárias, está, praticamente, paralisado, em função dos decretos de quarentena”, explica o presidente da Fenabrave, Alarico Assumpção Júnior, explicando que algumas concessionárias mantiveram suas oficinas abertas para atender caminhões, ambulâncias e outros veículos essenciais para serviços de primeira necessidade, como os ligados à saúde e alimentação.

Temor
O representante não esconde o medo de que os efeitos da pandemia possam impactar na manutenção de empregos. “Sabemos que a prioridade é a saúde da população, mas, a continuar como está, em um mês de estagnação, cerca de 20% dos empregos do nosso setor podem ser comprometidos, pois os concessionários estão sem receita e, ao contrário, têm despesas fixas”, adverte.

Para tentar contornar a situação, a entidade vem solicitando às três esferas do poder, assim como a instituições financeiras, suspensão de pagamento do IPVA. Pede linha de crédito especial, ao BNDES, para empresas do setor, e desoneração de encargos na folha de pagamento por até 120 dias. 

A Fenabrave ainda pede que instituições financeiras mantenham taxas de juros para concessão de crédito para pessoa física e jurídica, para estimular as vendas. E também a abertura de linhas para comercialização de tratores e máquinas agrícolas sem o registro das cédulas em cartório. 

As vendas diretas (para pessoas jurídicas) corresponderam a quase metade das vendas em março, com 49,1% dos licenciamentos. No acumulado do ano, a média gira em torno de 44%.

Participação
Apesar da forte queda, o desempenho na participação de mercado se manteve estável. A General Motors segue na liderança dom 17,8% do bolo, sendo seguida pela Volkswagen, com 16,2% e Fiat na terceira casa, com um naco de 14,3%. Ford e Hyundai completam a lista dos cinco maiores vendedores com 8,2% e 8% de participação, na ordem.

Se a divisão do bolo segue sem mudanças, a liderança entre modelos mais vendidos também não sofreu alterações. O Chevrolet Onix registrou 12.007 unidades em março, seguido por Ford Ka (7.103), Hyundai HB20 (7.042), Chevrolet Onix Plus (6.670) e Fiat Argo (6.071). 

De janeiro a março, o Onix acumula 47 mil unidades comercializadas. A versão sedã segue na vice-liderança com 24,5 mil licenciamentos, derrubando Ka (22,6 mil) para terceira posição e empurrando para baixo o HB20 (22 mil). O veterano Volkswagen Gol é o quinto, com 17.655, sustentando a liderança dentro da marca.