O mercado de automóveis e comerciais leves registrou 177 mil licenciamentos em março. Volume 11,9% superior a fevereiro, de acordo com a Federação Nacional da Distribuição de Veículos Automotores. No acumulado do ano, o desempenho é 6,5% s menos que nos primeiros três meses de 2020.

 

Apesar de o mercado mostrar evolução, fatores como a crise dos semicondutores e as paralisações devido à pandemia do Covid-19 podem provocar uma desaceleração na curva crescente por falta de produto nas prateleiras.

O primeiro sintoma foi sentido na General Motors. Em março, a GM tinha anunciado que paralisaria a produção do Onix a partir deste mês, na unidade de Gravataí (RS), devido à falta de componentes eletrônicos. No mês passado, ela já tinha dado férias coletivas para os funcionários da planta e agora interromperá a linha.

“A cadeia de suprimentos da indústria automotiva na América do Sul tem sido impactada pelas paradas de produção durante a pandemia e pela recuperação do mercado mais rápida que o esperado. Isso está afetando de forma temporária nosso cronograma de produção na fábrica de Gravataí (RS)”, informou a GM em nota à imprensa, em março.

O resultado foi a queda expressiva de emplacamentos do modelo, que até o mês passado era o líder inabalado de vendas. O Chevrolet Onix anotou 7.933 unidades, sendo superado com facilidade pela Fiat Strada, que registrou 10.268 licenciamentos, e o Hyundai HB20 ficou na vice-liderança com 8.012 unidades emplacadas. 

A Strada foi o único carro a superar a marca das 10 mil unidades. Para se ter uma ideia de como o mercado está pulverizado em 2021, a italiana foi líder geral com 38.043 unidades. Ou seja, só a Strada correspondeu a mais de 25% das vendas da Fiat. Todo o restante somou menos de 28 mil carros. Há 10 anos, modelos populares como Gol, Palio e Mille anotavam vendas acima das 20 mil unidades mensais.

Mesmo assim o volume que corresponde a 21,4% de participação, o melhor desempenho da marca desde agosto de 2014. No entanto, a marca só irá se manifestar após a reunião da Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea), que acontece nesta quarta-feira (7).

Já a Hyundai celebrou o desempenho de março. Para a marca sul-coreana, ela foi a líder de vendas no segmento de automóveis de passeio. E tem razão: afinal, a Strada, mesmo com sua cabine dupla, se enquadra na categoria de comercial leve. 

“Graças à não interrupção da produção e à continuidade de nossas vendas, já adaptadas às restrições da pandemia, tivemos resultados expressivos, não só em comparação a março de 2020, mas também versus março e o primeiro trimestre de 2019, quando não havia impacto da Covid-19. Isso foi mais notável no HB20 que segue firme em seu lugar de destaque no ranking de vendas e, ainda, assegurou a liderança nacional agora no mês de março”, comenta o vice-presidente comercial da Hyundai Motor Brasil, Angel Martinez.

Segunda mão

Ao mesmo tempo que o varejo de carros novos assiste uma escassez de produtos, o mercado usados não tem do que reclamar. Em março, o setor negociou 1.237.230 unidades, segundo a Federação Nacional das Associações dos Revendedores de Veículos Automotores (Fenauto). Volume que corresponde a 4,1% de crescimento sobre fevereiro.

“Mesmo quem optar por um carro novo vai acabar se deparando com a falta de produto nas lojas, e pode ter que aguardar até 150 dias. Há revendas (de usados) em BH que registram crescimento nas vendas de 25%, se comparado março a fevereiro”, aponta o diretor comercial da AutoMaia Veículos e diretor de marketing e planejamento da Associação dos Revendedores de Veículos no Estado de Minas Gerais (Assovemg), Flávio Maia.