SÃO BERNARDO DO CAMPO (SP) – A vida na boleia não é fácil. Horas intermináveis ao volante, estradas mal conservadas, violência e muitas vezes solidão. Tudo isso torna a profissão do caminhoneiro muito desgastante, o que pode potencializar riscos de acidentes. Se, na ficção, Pedro contava com a fiel companhia de Bino, na vida real nem sempre há um parceiro de volante. Mas a Mercedes-Benz tenta compensar isso com tecnologia. Demos uma (longa) volta a bordo do Actros 2651, que oferece recursos presentes nos automóveis da estrela de três pontas.

 

Renovado recentemente, o extrapesado ganhou um pacote de segurança que conta com controle de cruzeiro adaptativo (ACC), que delimita a distância mínima entre o veículo à frente e é capaz de frear o caminhão até a completa imobilização quando necessário.

 

Os freios a ar contam com um sistema hidráulico chamado de Retarder que atua junto à transmissão para auxiliar na frenagem junto com o freio motor. Com isso, se reduz o risco de superaquecimento das lonas. Que é um dos principais causadores de acidentes com caminhões, como ocorre frequentemente no Anel Rodoviário de Belo Horizonte.


Bino eletrônico

O gigante conta ainda com monitor de faixa de rodagem, que imite um forte sinal como se o caminhão estivesse passando sobre aquelas “tartarugas” que demarcam a pista.

 

A sopa de letrinhas também está presente no Mercedão. O caminhão conta com controle de tração, freios ABS e assistente de partida em rampa (Hill Holder), que é fundamental quando é preciso arrancar numa subida com mais de 50 toneladas a reboque.

 

Cama, geladeira, armários, cortinas e até TV fazem parte dos itens do Actros.

 

Depois de quatro horas fazendo o papel de Bino pelas rodovias paulistas, foi possível experimentar como é dirigir esse gigante, no pátio da fábrica da Mercedes. Com uma carreta bi-trem carregada com 57 mil quilos de areia, tudo demanda muita paciência, atenção redobrada e calma. Uma simples curva exige atenção para não errar na tangente. Fazer uma manobra de ré é absurdamente complexo, mesmo num pátio sem nenhum obstáculo.

 

A lição que se tira é que todo motorista (seja de automóvel ou motocicleta) deveria dar uma volta de carona e, se habilitado, ao volante de um caminhão de grande porte para saber o quão difícil é conduzir esses gigantes e que muitas vezes o caminhoneiro, quando surpreendido, não tem tempo hábil para tomar todas as ações para evitar uma colisão.

 

O pacote de tecnologias do Actros atua de forma ativa para mitigar o pior, mas ele é uma minoria numa frota de 2 milhões de caminhões.


Trem de força

O Actros conta com uma caixa automatizada de 12 marchas (G 330-12), que dispensa as alavancas de trocas. Como um carro de passeio, ele só troca de marchas manualmente se quiser e basta um toque na pequena alavanca posicionada junto ao descanso de braço.

 

A caixa é combinada com o imenso motor BlueTec 5 seis cilindros 13.0 de 510 cv e 244,7 mkgf de torque (disponíveis a apenas 1.100 rpm). Para se ter uma ideia, é a força de 25 motores 1.0.

 

Tudo isso torna a vida do motorista menos árdua e os alertas e decisões do caminhão na maioria das vezes são mais assertivos que os conselhos do bom e velho Bino.