A Mercedes construiu carros fascinantes como o W194, que daria vida ao mitológico 300SL (Asa de Gaivota), assim com CLK GTR, SLR McLaren, SLS AMG, 190E Cosworth EVO II, mas nada foi tão absurdo quanto o SL 65 AMG Black Series, com seu V12 de 660 cv. Mas tudo isso é passado, pois a estrela de três pontas acaba de apresentar o AMG GT Black Series, que chega para ser a Mercedes (de fábrica) mais poderosa da história.

Essa linhagem “tarja preta” teve início em 2006 e foi aplicada a diferentes modelos, desde o compacto SLK, passando pelo poderoso SL, assim como o cupê CL e C Coupé e até mesmo no SLS AMG. Agora retorna no esportivo maior da constelação da Mercedes.

Numa analogia com seus conterrâneos, esse carro está para o GT assim como o GT2 RS está para o Porsche 911. São nada menos que 730 cv extraídos do polivalente V8 biturbo 4.0 que a Mercedes aplica em praticamente todos seus modelos AMG e ainda fornece para a britânica Aston Martin.

Entranhas

O segredo desse motor, segundo a Mercedes, está no virabrequim. Sim, o eixo de manivela que é girado com a detonação dos pistões. Nos motores V8 os mancais podem ser dispostos de duas maneiras: cruzado, com posição a 90º um do outro; ou plano, em que cada um está a 180º referente à manivela ao lado. Ou seja, é possível aumentar ou reduzir o curso do pistão, sem aumentar o deslocamento.

O uso do virabrequim plano também demanda mudança na sequência de detonação dos cilindros, que segundo a marca, permite um fluxo de gases mais uniforme e de menor restrição, que se converte em ganho de desempenho. Outra manobra foi o deslocamento do coletor de escape para o interior das bancadas de cilindros, que também influencia no ganho de desempenho.

Ou seja, o carro ficou absurdamente mais potente. O AMG GT R entrega 585 cv, com os ajustes do motor, o mesmo bloco passou a entregar 145 cv a mais. Ou seja, foi adicionado um 250 TSI da VW dentro do V8. O torque também subiu de 71,4 para 80 mkgf.

A transmissão segue a Speedshift DCT 7G, mas com ajustes para suportar o maior torque do V8. E como esportivo que se preze, a tração é apenas traseira, conectada por um robusto eixo cardã.

Aerodinâmica

Para dar conta de tanta potência, o AMG GT precisou ter a aerodinâmica totalmente revisada. O bólido ganhou novos para-choques, com defletor sob o para-choque redimensionado, aletas laterais, novos coletores de ar. Capô com novas saídas de ar, assim como novo difusor traseiro e uma imensa asa com duas lâminas. 

Esse aerofólio permite ajustes manuais de ângulos, dependendo das características da pista. No entanto, no centro da peça, há uma segunda asa que conta ajuste eletrônico e pode alterar sua posição em até 20 graus, de acordo com o ajuste do seletor de comportamento dinâmico. O body kit foi herdado da versão GT3, de pista.

Em números de performance, significa que o Black Series acelera de 0 a 100 km/h em 3,2 segundos. Da imobilidade aos 200 km/h são menos de nove segundos e a velocidade máxima desse brinquedo é de 325 km/h. Mais rápida que essa Merça, apenas a exótica SLR, que tinha os dedos mágicos da McLaren.