O automobilismo tem sido o principal laboratório da indústria do automóvel há mais de 100 anos. Afinal, desde que Karl Benz resolveu motorizar um triciclo, não bastou colocar dois carros lado a lado para fazer uma corrida. E a cada corrida, sempre se descobria algo novo para melhorar a performance do danado. Tem sido assim há décadas. Motores, caixas, suspensões, eletrônica, tudo evoluiu nas pistas. E um desses laboratórios móveis atende pelo código W194.

Mas a maioria das pessoas não sabe que esse código representa um dos automóveis mais fascinantes da história, o Mercedes-Benz 300 SL, imortalizado como “Asa de Gaivota”. Sua história tem origem nas pistas, como um carro de competição capaz de devolver à Mercedes as glórias dos anos 1930, quando suas flechas de prata travavam uma guerra com Alfa Romeo, Auto Union (autal Audi) e Bugatti.

O W194 foi construído em 1952, com desenho assinado por Rudolf Uhlenhaut. Leve e com carroceria aerodinâmica, o motor seis cilindros 3.0 de aproximadamente 180 cv e 20 mkgf de torque (herdado do Mercedes 300 “Adenauer”) era capaz de levar o cupê a até 256 km/h.

Ele foi projetado para correr as 24 Horas de Le Mans. Sua estrutura tubular permitiu a confecção de uma carroceria aerodinâmica, com duas elevadas caixas de ar que, além de garantir grande rigidez para torção, também serviam de passagem para a tubulação de escapamento.
Isso trazia os dois acentos para o centro da cabine e fazia com que a distribuição das massas fosse muito equilibrada. No entanto, essas formas impediam a instalação de portas convencionais e a solução foi fazer com que elas se abrissem para cima. Era um recurso técnico, que se tornou seu grande símbolo.

Na pista
O carro ficou pronto para a prova de 1952. O W194 era algo formidável, leve, potente e extremamente preciso nas curvas, a Mercedes sabia que o carro não decepcionaria. Os pilotos alemães Hermann Lang e Fritz Riess, formaram uma das duplas que levaram o W194 para a pista francesa e venceram a prova com 277 voltas e 3,7 mil quilômetros.

Naquele mesmo ano, os alemães Karl Kling e Hans Klenk venceram a famosa Carrera Panamericana, em 18 horas e 51 minutos, entre as cidades mexicanas de Tuxtla Gutiérrez e Juárez. Entre os nomes que pilotaram o bólido, estavam Juan Manuel Fangio e Stirling Moss.

Dois anos depois, o W194 deu origem ao 300 SL de rua, que assim como o carro de corridas ficou imortalizado por suas portas “asas de gaivota”.

Assista também!