Mergulhadores recuperaram nesta segunda-feira uma das duas caixas pretas do avião que fazia o voo 8501 da AirAsia e localizaram o outro compartimento com dados da aeronave no fundo do mar.

Os investigadores resgataram a caixa com os dados do voo na manhã de hoje e, horas mais tarde, os mergulhadores localizaram a segunda caixa preta, a que contém as gravações de voz da cabine, que está a cerca de 20 metros de distância dos destroços de uma das asas do avião.

Suyadi Bambang Supriyadi, diretor de operações da agência e busca e resgate da Indonésia, disse que pode ser necessário levantar a asa antes que a segunda caixa preta seja recuperada.

Os investigadores pretendiam transportar a caixa preta com os dados do avião para um laboratório em Jacarta na noite desta segunda-feira, onde investigadores indonésios e franceses se preparam para analisar os dados.

Segundo as autoridades, a caixa preta parece estar em bom estado, mas será preciso uma inspeção cuidadosa para certificar que ela não sofreu danos significativos. Informações iniciais poderão ser baixadas e analisadas em alguns dias, se não houver complicações.

Supriyadi disse que os mergulhadores acreditam ter localizado parte da fuselagem da aeronave, onde podem estar os demais corpos de passageiros de tripulantes.

Se as caixas pretas não tiverem sofrido danos e os investigadores conseguirem recuperar as informações, os dados mostrarão como os principais sistemas a bordo da aeronave operaram do início do voo até o instante em que a eletricidade foi cortada para a realização das gravações. Também serão revelados que comandos os pilotos acionaram e qual dos pilotos dirigia a aeronave, além das mudanças de velocidade, direção e altitude do avião.

Já as gravações de voz da cabine, se recuperadas, serão uma importante ferramenta para entender o que os pilosos observavam no painel de instrumentos e por que tomaram determinadas decisões, mas segundo especialistas em segurança aérea serão um complemento às informações dos dados do voo.

A aeronave via de Surabaya, na Indonésia, para Cingapura no dia 28 de dezembro, com 162 pessoas a bordo, quando caiu no Mar de Java, cerca de 160 quilômetros da costa de Bornéu.

Os mergulhadores dizem que os trabalhos têm sido dificultados porque o fundo do mar está coberto de lama, a visibilidade é baixa e as correntes são muito fortes. Ventos fortes e altas ondas também prejudicam as operações. A permanência dos mergulhadores é limitada a 15 minutos debaixo d'água por causa da pressão, informou Supriyadi.