Dados do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged) mostram que as pequenas e micro empresas (MPEs) foram as responsáveis, ao longo de 2020, pela retomada dos postos de trabalho em todo o país, após a chegada da pandemia e os brutais efeitos dela sobre as atividades econômicas. De acordo com o levantamento, as MPEs geram um total de 293,2 mil novos postos de trabalho. Enquanto isso, as médias e grandes empresas foram na direção oposta e encerraram 193,6 mil vagas no mesmo período. 

Vale destacar que Minas Gerais foi o segundo estado que mais contribuiu para o bom desempenho dos negócios mais modestos. Por aqui, 35.882 empregos foram criados no ano passado, o que representa 12,23% do montante de todo o Brasil. A maioria das contratações veio da construção civil, que abriu 25.593 novas vagas (71% do total do saldo). 

O resultado obtido pelas MPEs pode ser explicado por alguns fatores. De acordo com Gabriela Martinez, analista na unidade de inteligência empresarial do Sebrae Minas, as empresas de tal categoria conseguiram puxar as contratações por responderem mais rapidamente à necessidade de retomada econômica. Martinez destaca que a natureza das MPEs acaba sendo decisiva nesse aspecto. 

“Elas são mais sensíveis e dinâmicas, por isso respondem mais rápido. Quando a economia está mal, demitem primeiro. Mas, quando se inicia a reação, elas sentem os efeitos mais rápido e também são as primeiras a contratar”, destaca a analista.

Embora a pandemia tenha impactado a economia de maneira geral, para o setor da construção civil, considerado essencial desde o início, houve ótimos resultados. E não apenas na realização de novos empreendimentos. A necessidade das pessoas de permanecerem em casa, por conta das regras de isolamento social, também trouxe crescimento. 
Segundo Renato Michel, vice-presidente da área imobiliária do Sinduscon-MG, a “ressignificação” dos imóveis, para adequá-los às novas necessidades, foi um combustível para contratações. “As atividades não pararam e a demanda, principalmente para essas adaptações, impulsionou o setor”, explica.

Para Fernanda Basques, presidente da Associação Brasileira dos Escritórios de Arquitetura de Minas Gerais, de fato, a demanda no setor surpreendeu os profissionais, que terminaram 2020 em uma situação muito melhor do que a que previram no início da pandemia, em março. 

“Foi uma surpresa por tudo o que aconteceu. Vimos vários escritórios e profissionais contratando, em especial os que trabalham com reformas de interiores e residenciais. Esse movimento salvou o setor, porque no início da pandemia o panorama era desanimador”, explica ela, que também aumentou o quadro de profissionais de seu escritório em 20% para atender a demanda.

Líder na abertura de vagas no Estado, com 71% do total, construção tende a manter fôlego

A expectativa da construção civil é de que o panorama positivo para as MPEs do setor permaneça em 2021. Segundo o Sinduscon-MG, as baixas taxas de juros e a extensão do trabalho no modelo home office deve seguir impulsionando a busca do consumidor por novos imóveis ou pela chamada ressignificação dos atuais. “Vivemos um tempo em que as empresas e as pessoas perceberam que é possível manter o trabalho dentro de casa”, afirma Renato Michel, vice-presidente da área imobiliária do sindicato.

Tal tendência já é sentida no dia a dia de construtoras de pequeno porte que atuam no mercado de reformas e serviços de manutenção prediais. A engenheira Alaíze Reis tem uma empresa da área e já começou 2021 com contratos fechados para reformar condomínios de médio e alto luxo em BH. Para a engenheira, o que se viu no ano passado vai se prolongar por um bom tempo. “Como as pessoas passaram a ficar mais em casa, acabaram vendo as necessidades que os condomínios tinham de fazer as mudanças para atender a estas pessoas que descobriram que é possível trabalhar e estar em casa”, enfatiza.

Gabriela Martinez, do Sebrae MG, diz que a criação de novos postos pelas MPEs de diversos setores deve persistir em 2021, mas em menor ritmo. “Ainda há muitas incertezas. Não sabemos por quanto tempo a pandemia vai durar, quando a economia estará em plena atividade, quanto tempo até que todos sejam vacinados. Mesmo assim, a tendência é de que as MPEs continuem contratando”, afirma.