Cinquenta e dois anos após o golpe de 1964, que culminaria no mais longo período de interrupção democrática do Brasil, apoiadores do governo Dilma Rousseff fazem, em todo o país, manifestações de repúdio a um possível impeachment da presidente. Em Belo Horizonte,  shows são realizados na praça da Estação, no Centro. Segundo os organizadores, há 40 mil pessoas no ato; já a PM fala em dez mil. Os manifestantes assistem aos diversos artistas que começaram a se apresentar às 17h.

"Não vai ter golpe, vai ter luta" é o mote do protesto, ditado pela música. Até a meia noite, dezenas de artistas se apresentarão. De acordo com o diretor de teatro e um dos organizadores do encontro, Marcelo Bones, a classe artística sempre esteve presente em momentos de tensão política e, desta vez, não seria diferente.

"Na ditadura, os artistas foram fundamentais. Agora, é importante que nós nos posicionemos contra o golpe, que é o impeachment sem fundamento legal", ressalta.

O músico Reco Bastos veio de Jericoacoara, no Ceará, onde mora há 13 anos, para participar do evento. "Lá não tem esse movimento político e eu sempre participei das causas que acredito. Sou a favor da democracia, por isso estou aqui", afirma.

O fato de a presidente ser duramente criticada pela população é criticado por Reco. "Nenhum presidente deu tanta autonomia à Polícia Federal como Dilma. Se ela sair, as investigações acabarão", rechaça.

O integrante do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) Joaquim Toledo viajou 80 km de Nova União a Belo Horizonte. "Vim para reafirmar minha cidadania. Sou cidadão, tanto quanto os outros. Meu voto vale muito e vou lutar por ele", diz.

O produtor de cinema e vídeo Belo Magalhães transmite ao vivo o evento pela Internet. Ele disponibilizou todo o equipamento é conta com outros oito colaboradores. "Temer não tem legitimidade. Se ele assumir, o país entrará em convulsão social", comenta.