Altos impostos e infraestrutura logística defasada minam o potencial econômico de Minas Gerais, afastando empresas e derrubando a competitividade do Estado. Apesar de ter o segundo maior parque automotivo do país, Minas não recebeu nenhuma nova montadora nos últimos anos, quando pelo menos dez construíram novas fábricas no Brasil. Outros dois pilares da economia mineira – a siderurgia e a mineração – aos poucos perdem protagonismo no cenário nacional.

Na fabricação de aço, historicamente Minas Gerais ocupa o topo do ranking dos maiores produtores com moderada folga. No entanto, nos últimos três anos o Rio de Janeiro passou a ameaçar a liderança do Estado, dada a falta de novos aportes em usinas em território mineiro.

Na mineração, Minas Gerais permanece como maior produtor, mas observa uma migração acelerada dos investimentos para o Pará, onde se considera estar o suprassumo do setor, com minérios de mais elevado teor de ferro.

Professor da faculdade Ibmec, Reginaldo Nogueira aponta impostos elevados, infraestrutura deficiente e o baixo nível educacional como inibidores do desenvolvimento da economia estadual.

“A saída é avançar em ações profundas de cortes de alíquotas de ICMS, intensificar pacotes de Parcerias Público-Privadas (PPP) e concessões, e reduzir as diferenças do nível educacional entre as regiões do Estado”, afirma.

Dada a grande dimensão de Minas Gerais, atacar o déficit de infraestrutura, explica Nogueira, é fundamental para dar competitividade à economia, reduzindo custos logísticos. “É um plano de longo prazo, mas que de imediato já tem impactos significativos no emprego e renda gerado pelas obras”.

Ao menos na parte dos impostos, Minas deu passo na contramão. Desde o último dia 1º, uma lista de 180 produtos tiveram aumento de ICMS, além das alíquotas cobradas pela energia paga pelo comércio.

Colocação

Desde 2011, a revista inglesa “The Economist” publica, em parceria com o Centro de Liderança Pública (CLP) e a Inteligence Unit, o “Ranking de Competitividade dos Estados”. Até 2013, Minas Gerais ocupava a terceira colocação, mas nos últimos dois anos se acomodou na sexta. A pesquisa considera dez “pilares” para formar o ranking, e o Estado está abaixo da média nacional apenas em um deles, a sustentabilidade fiscal, que avalia a relação dívida líquida/receita corrente líquida. Minas é o 23º neste critério.
 
“Se o Estado estivesse se endividando para investir, estaria tudo bem, mas a dívida vem da receita corrente, o que é muito ruim. Em parte, isso revela que o choque de gestão não teve sucesso”, afirma o economista Róridan Duarte, do Conselho Federal de Economia (Cofecon).

Embora tenha o terceiro maior Produto Interno Bruto (PIB) do país, Minas não repete essa posição em vários indicadores da pesquisa, e é, por exemplo, o 10º do item “produtividade do trabalho”. Duarte explica que o PIB não assegura competitividade.
 
Setor industrial é o que apresenta piores indicadores
 
A Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais (Fiemg) classificou 2015 como o ano da perda de competitividade. O documento da entidade que traz o balanço deste ano diz que o Brasil atravessa “a mais longa crise de sua história” e o presidente da entidade, Olavo Machado, destacou que o cenário de aumento de custos intensifica o processo de perda de competitividade.

“Nesse ambiente, a indústria se destaca como o setor que apresenta os piores indicadores, quer sejam de produção, faturamento, vendas, produtividade, entre outros. O setor industrial brasileiro segue uma trajetória perigosa de completa perda de competitividade, sofrendo com custos cada vez mais altos e produtividade cada vez mais baixa, inviabilizando todos os setores em que não temos vantagens comparativas naturais”, afirmou Olavo Machado.

As estimativas da Fiemg indicam uma retração na economia mineira este ano mais acentuada do que a da média nacional. No Estado, a queda deve ser de 4,1%, e no Brasil, de 3,8%. Já a previsão de produção industrial é a mesma para Minas e Brasil, de recuo de 7,6%.