Depois de enfrentar alguns anos de retração, a indústria da construção civil em Minas começou a retomar o crescimento no ano passado, principalmente com a queda da taxa básica de juros e um alinhamento dos agentes financeiros, que garantiram melhores condições na disponibilidade de crédito aos consumidores. Neste ano, mesmo com a pandemia, que afetou diversos segmentos, o setor registrou picos recordes de vendas, principalmente de imóveis de luxo e alto luxo, mas enfrenta desafios da alta de insumos no mercado.

“Tínhamos a expectativa de que seria um ano muito bom, tanto que janeiro foi o melhor mês em relação a igual período de 2019. Aí veio a pandemia e março e abril foram de pânico, porque a gente não sabia o que ia acontecer”, conta Geraldo Linhares, presidente do Sindicato da Indústria da Construção Civil de Minas Gerais (Sinduscon). No entanto, segundo ele, o setor foi considerado serviço essencial e conseguiu manter as obras.

“Naquele momento, tínhamos 225 canteiros de obras em andamento. Se tivesse parado, seria um caos social, com grande número de demissões. Mas, ao contrário, continuamos e tivemos até aumento de pessoas recrutadas, com crescimento de 8,5% em Minas”.

Geraldo Linhares lembra que o setor se adaptou com agilidade à dinâmica do comércio on-line. Ele considera também que, como as pessoas ficaram mais tempo em casa, começaram a buscar melhores condições de moradia. “Culminou em um setembro atípico, quando a velocidade de vendas cresceu 14%. Foram vendidas várias unidades, principalmente em Belo Horizonte e Nova Lima. Surpreendentemente, houve vendas bem significativas”. 

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Entre setembro e outubro, o setor começou a enfrentar uma alta mais acentuada dos insumos, inclusive de commodities, cujos preços são lastreados na variação do dólar do mercado internacional. “Isso levou as empresas a frearem lançamentos, mas continuam vendendo os estoques, cujos preços não subiram. Esperávamos novos lançamentos no terceiro trimestre, mas isso só deve acontecer em fevereiro ou março, quando a gente acha que deverá haver uma pacificação nos preços dos matérias de construção, principalmente cimento e aço”.

De janeiro até outubro, o preço de alguns produtos dispararam. O fio de cobre, por exemplo, subiu 68,48%; o cimento, 48,72%; o aço, 31,32%; o bloco de concreto, 26,21%, e o bloco cerâmico, 20,23%. “Em imóveis como no programa Casa Verde-Amarela, as altas são impactantes. Um imóvel saltar de R$ 133 mil para R$ 150 mil, essa diferença de R$ 17 mil tira do universo de compradores milhões de pessoas no Brasil. Isso impacta muito para o pessoal de baixa renda, cujo maior sonho é ter a casa própria. Realmente foi lamentável, mas a gente tem que conviver e ver como se organiza isso para o ano que vem”, conta o presidente do Sinduscon.

Geraldo Linhares aposta em um ano de vendas perenes em 2021, sem picos de comercialização de imóveis como nos últimos meses. Segundo ele, o setor já está negociando com os sindicatos de diversos segmentos a nível nacional para que o setor consiga ter uma estabilidade nos preços de matérias-primas e cumprir o cronograma de obras sem nenhuma surpresa no decorrer do prazo de entrega. “A gente está lutando aí para conseguir pacificar os preços”, salienta.

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