Minas tem se destacado nos cenários nacional e internacional como um dos principais estados em inovação e tecnologia, tanto que o Vale da Eletrônica, em Santa Rita do Sapucaí, abriga hoje um dos maiores pólos da área no Brasil, com a produção principalmente de eletrônicos sendo exportada. Mas um projeto que surgiu em Belo Horizonte, com o intuito de salvar vidas nesta pandemia, tem despertado interesse mundo afora.

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Linha de montagem do ventilador mecânico VI-C19, da Inspirar, produzido agora em unidade instalada em Itajubá

Um dos “braços” de atuação da empresa Tacom, com sede na capital mineira, desenvolveu o projeto Inspirar – que se tornou hoje uma empresa Health Tech – e tem auxiliado milhares de pessoas em Minas graças a ventiladores pulmonares usados em mais de 380 unidades de saúde do Estado. A ideia de criar o equipamento surgiu da inquietação de um dos sócios, Marco Antônio Tonussi Rodrigues, que diante da falta de produtos para reduzir impactos da pandemia de Covid-19 resolveu desenvolver o próprio aparelho – criado em apenas 21 dias, ainda em março.

Desenvolvimento da indústria se entrelaça com a própria história do Estado, mostra a 
série de reportagens Minas 300 Anos 

A primeira leva de 1.500 equipamentos, que contou com o suporte do Senai e de várias empresas na confecção de protótipos, foi doada pela Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais (Fiemg) ao governo do Estado para utilização na rede de saúde pública.

“Existia um déficit grande desses equipamentos no Estado. Hoje, Minas conta com aparelhos doados pela Fiemg e pelo projeto Inspirar, dentro da iniciativa desse projeto social”, conta Marco Antônio. A Inspirar montou uma sede em menos de 20 dias, em Itajubá, também no Sul do Estado, para a produção dos equipamentos. No pico da Covid, chegou a fabricar 150 em um dia.

Aparelhos similares no mercado, que foram vendidos por até R$ 180 mil, custam hoje entre R$ 80 mil e R$ 100 mil. Já a Inspirar produz cada unidade com custos que variam de R$ 30 mil a R$ 35 mil. 

Entre aproximadamente 15 projetos desenvolvidos por empresas e universidades no Brasil para minimizar a falta desses produtos no mercado, o VI-C19, como foi batizado o equipamento da Inspirar, foi o único no Brasil a ser homologado na classe 3 – a mais complexa para equipamentos de CTI - pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), podendo ser usado em qualquer lugar do mundo.

Além dos aparelhos doados ao Estado, a empresa já produziu outros mil para pacientes com Covid no Brasil e no exterior. “Nossa intenção é chegar a 7 mil equipamentos produzidos”, conta o executivo, lembrando que o equipamento já despertou interesse em várias partes no mundo, como na África, Oriente Médio, Europa e países da América do Sul.

“Nossa ideia é continuar ainda como um projeto social, apesar de sermos uma empresa hoje. Ela continua com o objetivo social de produzir esses equipamentos com custo menor, para que possam chegar a um número maior de hospitais”. A participação do Senai foi fundamental na prototipação de peças que não existiam no mercado. “Foi um esforço muito grande, mas muito recompensador”.

O ventilador pulmonar mecânico VI-C19 garante suporte às pessoas com Covid durante o tratamento. Desenvolvido por uma equipe multidisciplinar, que inclui médicos intensivistas, engenheiros, programadores e desenvolvedores, possui dois módulos para fazer a ventilação: o volume controlado (VCV) e o modo pressão controlada (PVC). Está apto à ventilação de qualquer doente com problema respiratório que precise desse apoio mecânico.

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