Dos 15 estados brasileiros com oferta de gás natural residencial, Minas Gerais é o lanterna em número de usuários, de acordo com dados da Associação Brasileira das Empresas Distribuidoras de Gás Canalizado (Abegás). O plano já em curso da Gasmig, estatal mineira que atua no setor, é chegar à terceira colocação em 2018, com 80 mil clientes, um salto ousado considerando os cerca de 4 mil que a companhia contabiliza atualmente.

Além da ampliação da rede em 90 quilômetros, sob aporte de R$ 44,1 milhões, que se somarão aos 75 quilômetros já existentes, a estratégia da empresa inclui a oferta do serviço em ícones de Belo Horizonte, como o Mercado Central. O ponto turístico será abastecido com gás natural em até 120 dias e embora este caso não seja um exemplo de uso residencial do produto, ele ajuda na disseminação da ideia de que o gás natural é um bom negócio, e especialmente, traz segurança ao substituir os botijões.

A expansão da rede da Gasmig privilegiará em um primeiro momento bairros mais verticais e prédios onde já existe a canalização para o uso do gás. São prédios onde se usa o Gás Liquefeito de Petróleo (GLP) e o condomínio decide trocar pelo natural. A Gasmig não faz contratos individuais com moradores. É necessário a adesão do condomínio. É viável, no entanto, que se instale medidores e cada morador pague apenas sua parte no consumo, como ocorreu no condomínio onde mora o analista de sistemas Álvaro Tomaz.

“Fizemos a conversão (do GLP para o gás natural) há três meses e usamos no fogão e no chuveiro do apartamento. O condomínio usa também no aquecimento da piscina”, disse. Pelos cálculos dele, a economia é de 30%.

Crescimento

Até julho de 2015, a Gasmig tinha 1.745 clientes e chegou a dezembro com cerca de 4 mil, um crescimento de 129%. O plano é ampliar o número de clientes em 15 mil novos consumidores em 2016, mais 25 mil em 2017, e outros 40 mil em 2018, totalizando 80mil. Hoje, Alagoas é o terceiro Estado com maior número de clientes: 39,4 mil.

“A economia gerada é importante, mas o grande apelo do gás natural é a segurança. Por ser muito pouco denso ele se dissipa no ar muito rapidamente, diferente do Gás Liquefeito de Petróleo (GLP), minimizando as chances de acidente”, disse o diretor-técnico da Gasmig, Luiz Jorente.

Um botijão de gás de 13 quilos tem a equivalência energética de 16,2 metros cúbicos de gás natural. O botijão tem preço na região Centro-Sul de Belo Horizonte de R$ 60 a R$ 65 enquanto os 16,2 metros cúbicos de gás natural custam de R$ 63,18. O consumo médio de gás natural por uma família de quatro a cinco pessoas é de nove metros cúbicos por mês (pouco mais de meio botijão) quando usado apenas no fogão, e de 18 metros cúbicos quando usado no fogão e chuveiro.

Para o preço do botijão foi considerada pesquisa do site Mercado Mineiro e para o custo do gás natural uma simulação disponível no site da Gasmig.

São Paulo é o Estado com mais residências usando o gás natural: 1,6 milhão. Em segundo, o Rio de Janeiro, com 912 mil.