Minas Gerais terá papel fundamental nas articulações que decidirão o futuro do país. Com processos em andamento para a destituição de duas das principais autoridades brasileiras – os presidentes da República, Dilma Rousseff (PT), e da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha (PMDB) –, o Estado mineiro deverá assumir protagonismo em decisão-chave no início deste ano.

Na primeira quinzena do próximo mês está prevista a eleição do novo líder do PMDB na Câmara. Existe um acordo entre os deputados para que o posto seja ocupado por um mineiro.

O representante da hoje maior bancada da Casa – são 68 deputados em exercício – será responsável por indicar os integrantes da comissão que decidirá sobre o processo de impeachment da presidente Dilma Rousseff.

O posto atualmente é ocupado por Leonardo Picciani (PMDB-RJ), que chegou a ser destituído em prol do deputado mineiro Leonardo Quintão, mas retornou à vaga. (Veja infografia).

Depois que Quintão, então favorito à vaga, saiu fragilizado da manobra que destituiu Picciani em dezembro, Newton Cardoso Jr. (PMDB-MG) aparece como nome para a disputa. O lema do deputado será a neutralidade dentro do partido: nem tão governista, nem tão oposicionista à Dilma.

“Quintão saiu desmoralizado. Já tinha combinado que assumiria em fevereiro, mas entrou na onda dos gaúchos (deputados peemedebistas) e se precipitou nessa bobagem”, avalia Mauro Lopes (PMDB-MG), que também teve o nome ventilado. Para o deputado, Newton é o mais forte de Minas, apesar de acreditar que Picciani tentará manter o posto, com a ajuda do Planalto, já que apoia a presidente.

“O Picciani se comprometeu a apoiar a bancada mineira em 2016. Além disso, foi consenso que só haveria reeleição se o líder conquistasse o apoio de dois terços da bancada”, afirma Newton Cardoso Jr. O deputado se recusou a assinar as listas tanto de apoio a Quintão quanto de apoio a Picciani e se esquiva de perguntas sobre seu posicionamento sobre Dilma.

“Jogo aberto para quem souber fazer esse jogo sutil, de ser oposição sem ser agressivo ao governo. E ninguém melhor do que os mineiros para trabalhar dessa forma”, analisa o cientista político e professor da PUC-MG e da UNA, Paulo Diniz. Quintão não foi encontrado para comentar o caso
 
Comissão

O PMDB, ao lado do PT, terá o maior número de representantes na comissão (oito) que analisará o pedido de impeachment. Mesmo tendo caráter apenas consultivo, a decisão pode desmoralizar o processo de impeachment, em caso de parecer contrário, avaliam especialistas. O parecer da comissão será votado em plenário.

“Não dá para apostar em um comportamento diferente do PMDB: vai votar dividido independentemente do líder”, pondera o professor de Ciências Políticas da PUC-MG, Malco Camargos.

Imprevisibilidade

A queda de braço entre as alas governistas e oposicionistas, personificadas por Leonardo Quintão (apoiado pelo presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ) e pelo vice-presidente da República, Michel Temer) e Leonardo Picciani (sustentado pelo governo federal) deixou em evidência a falta de unidade desta legislatura do PMDB na Câmara dos Deputados.

Em menos de dez dias - entre os dias 9 e 17 de dezembro - pouco mais da metade dos peemedebistas na Casa apoiaram um dos grupos. No primeiro movimento, 35 dos então 66 deputados apoiaram Quintão.

No contra-ataque, 36 dos 69 peemedebistas colocaram Picciani novamente no posto de líder. A quantidade de deputados aumentou em uma manobra de Picciani.