Prestes a lançar a 18ª edição do Minas Trend, agendada para os dias 6 a 8 de outubro, o presidente da Câmara da Indústria do Vestuário e Acessórios da Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais (Fiemg) e vice-presidente da Fiemg, Flávio Roscoe, fala sobre o crescimento da demanda de expositores que desejam participar do evento.

O Minas Trend se consolidou como a principal feira de moda e salão de negócios do Brasil e já tem lista de espera para a próxima edição, que vai revelar tendências das coleções outono/inverno de 2016 de grandes marcas do país.

Você considera que o Minas Trend tem cumprido o papel de divulgar e promover a moda mineira?
Esse tem sido o principal papel do Minas Trend: divulgar não somente nomes dos novos estilistas ou talentos que já existem em Minas Gerais e das marcas consolidadas. O objetivo do evento é dar uma visibilidade maior, porque Minas não tinha um evento que trouxesse essas marcas para o mercado, com essa percepção de moda tão evidente. O Minas Trend cria o conceito de moda mineira que atinge toda a cadeia, mesmo aquelas marcas menos conceituadas, mais populares. É um resgate da produção de vestuário, calçados, bolsas, acessórios, joias, de todo o setor em Minas Gerais. Dessa forma, todo mundo sobe de nível. O evento é muito bem organizado e os participantes são muito bem selecionados. Não entra quem quer, entra quem tem qualidade. O Minas Trend tem se pautado pela qualidade, então ele restringe o número de participantes, se for necessário, para manter essa qualidade. Felizmente, o evento tem ficado sempre cheio, com lista de espera.

Existe expectativa de aumentar o número de expositores e existe demanda por parte de empresários para participar do evento?
Existe uma lista de espera há varias edições. A gente seleciona, de fato, quem está entrando. O evento, do ponto de vista de espaço físico, tem hoje um problema. Com o incêndio que atingiu o Expominas, parte da área de exposições passou a ser de uso comum. Portanto, perdemos um pouco de capacidade do evento, porque o espaço não permite. E com essa limitação de espaço, a tendência é que não ocorra uma ampliação no número de expositores. Há várias edições estamos trabalhando com todo o espaço ocupado e com numero máximo de expositores, com sobra e fila de espera. Ao mesmo tempo, é uma chancela de qualidade do evento, porque ninguém fica em lista de espera para entrar num evento ruim. Ainda mais num momento de mercado difícil, quando todas as marcas estão procurando cortar custos. A gente sempre busca privilegiar novos entrantes no Minas Trend à medida do possível para valorizar novos estilistas, novas marcas e fazer o movimento. A moda é muito dinâmica, então temos que estar sempre rejuvenescendo o evento.

Alguns estilistas, como Patricia Bonaldi, Luiz Cláudio Silva e Lucas Magalhães, ganharam visibilidade no Minas Trend. O evento também é responsável pelo sucesso dessas marcas?
Já está provado que marcas antes não conhecidas ou até inexistentes que nasceram com o Minas Trend hoje são líderes nacionais, muitas delas de Minas. Isso deu uma dinâmica muito grande à moda mineira. O evento com certeza é responsável direto pelo sucesso de algumas das marcas mais importantes do cenário nacional, não somente de Minas. O principal exemplo que posso dar é a própria Patricia Bonaldi, que é uma expoente. A marca hoje é uma das principais do Brasil e é um grupo que há pouco tempo não era conhecido.

Existe um plano para ampliar o leque de marcas participantes do salão de negócios do Minas Trend, que hoje contempla apenas moda feminina (casual e festa) e acessórios (calçados e bolsas, bijuterias e semijoias)?
A gente vai acompanhando o mercado, sentindo as demandas. Um leque muito amplo pode correr o risco de se perder. O comprador que vem aqui vem com objetivo muito específico. Você começa a ter vários públicos e pode até contaminar o evento, mas a gente está sempre tentando agregar novidade, desde que seja com qualidade. Ainda não é um evento completo, porque não temos espaço para isso hoje, talvez no futuro a gente estude ter um leque maior. Mas temos feito alguns testes, estamos ouvindo o mercado. À medida que a gente perceber que há uma tendência maior para um segmento, esse segmento será incorporado naturalmente, desde que esteja de acordo com o público comprador. Não descartamos nada, mas não temos nada certo ainda com relação a aumentar o leque de marcas em função do limite do espaço que temos hoje. Na última edição, foram 290 estandes com 251 marcas.

As grandes marcas têm mostrado interesse crescente no Minas Trend?
Sim. Tivemos, por exemplo, marcas que usaram mais de um estande. Temos essa questão também, a marca quer crescer, já está dentro do evento há um bom tempo, mas não pode crescer porque o espaço já não comporta. Isso é outra coisa extremamente positiva, ter marcas com mais de um estande mostra que essas marcas cresceram e demandam mais espaço para realizar suas vendas. São marcas que estão mais consolidadas e se dispõem a investir mais no evento.

O Minas Trend também tem repercussão internacional, principalmente em vendas?
Com relação às vendas, o Minas Trend tem procurado sempre trazer compradores internacionais que ficam encantados com a moda brasileira de maneira geral. Agora, nós temos trabalhado muito na profissionalização das marcas para exportar os produtos. Temos contado com o apoio de programas como os da Associação Brasileira da Indústria Têxtil e de Confecção (Abit) que preparam as empresas para exportar. Minas hoje é um dos estados que tem maior participação nos programas. Ainda tem muito espaço para crescer, mas já estamos fazendo um trabalho neste sentido e tem surtido resultado.

Há empecilhos para alavancar vendas dos produtos de moda no exterior?
Há o famoso custo Brasil. A burocracia para se exportar, a lentidão, o custo da exportação, as licenças disso e daquilo, tudo muito custoso, e o mundo da moda é muito dinâmica. O mundo da commodity pode esperar uma licença sair, se um produto ficar retido, por exemplo, mas o mundo da moda não. O produto não é alimento, mas é perecível. Então, sob essa ótica, o entrave maior para vendas internacionais é a questão da morosidade da exportação.

Qual a representação do Minas Trend no turismo de negócios local?
O Minas Trend é um dos ápices do calendário do turismo de negócios em Minas Gerais, porque traz um volume muito grande de compradores e expositores. Recebemos muitos expositores de outros estados, ou seja, o evento não esta cerrado em Minas, ele tem essa dinâmica. O que nós queremos trazer são as melhores marcas do Brasil para o evento, não somente daqui. É claro que o nosso objetivo, como Federação das Indústrias do Estado, é desenvolver a nossa moda, mas é preciso que as marcas mineiras que estão se desenvolvendo também tenham contato com marcas de fora e possam aprimorar seus produtos, até mesmo sua percepção de mercado. O que a gente vê hoje no setor é que os compradores estão limitando suas viagens, então eles vão aonde conseguem a melhor relação custo – benefício. Como eles vêm ao evento, tendem a vir também no meio de uma coleção para ver o lançamento intermediário. E assim acabam criando uma rotina e laços com as marcas produtoras.

BH pode se desenvolver mais como cidade de turismo de negócios, na sua opinião?
Acho que é fundamental essa tentativa que a capital tem de se estabelecer como cidade de turismo de negócios. O grande problema é que o Expominas, que seria o único canal para a realização de grandes eventos, já está lotado. Hoje, com a estrutura hoteleira que BH criou para a Copa do Mundo, existe a carência de outros espaços para que a estrutura possa ser plenamente aproveitada. Da forma em que está, fica difícil agregar novos eventos à cidade, mesmo com a vocação que ela tem para isso.

Como o Minas Trend contribui com o fomento à criação e formação na área de moda?
Temos várias faculdades de moda em BH hoje e os estudantes têm a oportunidade de estar em contato com os melhores estilistas do Brasil duas vezes por ano no Minas Trend. Não somente com os estilistas, mas com o modelo de negócios e com a estruturação das empresas. Quando você desenvolve esse polo, cria mais oportunidade de estágios para o estudantes, eles passam a ter contato com o mundo real.