O minério de ferro respondeu no primeiro semestre do ano passado por 43,5% de tudo que Minas Gerais exportou. Este ano, em decorrência da desvalorização da commodity, representou no mesmo intervalo 26,8% das vendas do Estado no mercado internacional. São US$ 3,5 bilhões de diferença, que impactam diretamente a produção das empresas, sobretudo as de menor porte, e com custos de produção mais alto. Pelo menos quatro minas estão com atividades interrompidas, impactando também o nível de emprego do setor.
 
Em março, sob alegação de queda no preço do minério, a Ferrous havia interrompido a produção em Brumadinho, onde opera a mina Esperança. De acordo com o Sindicato Metabase da cidade, as operações voltaram, de forma reduzida, mas foram novamente paralisadas há 10 dias. Foram 25 novas dispensas na unidade.
 
Também em julho, a Vale, maior mineradora de ferro do mundo, paralisou a produção de duas minas – Jangada e Feijão, em Brumadinho e Sarzedo. A desvalorização do produto aliada ao alto custo de produção das mina implicou a interrupção das operações. 
 
Conforme informações do sindicato dos trabalhadores, os 175 funcionários das duas unidades estão em férias coletivas. O retorno é previsto para cinco de agosto. “As plantas de Feijão e Jangada que têm alto custo de beneficiamento e um produto de menor qualidade foram interrompidas em julho de 2015. A decisão está em linha com a estratégia da Vale de melhorar as margens e a qualidade do produto”, informou a Vale em seu relatório de produção do segundo trimestre.
 
A companhia já havia informado que iniciaria em julho a retirada de 25 milhões de toneladas de minério de ferro do mercado, entre produção própria em Minas Gerais e compra de terceiros.
 
Quem também não resistiu a depreciação no preço do minério foi a MMX, a primeira mineradora a dar sinais de enfraquecimento, motivado também pela crise interna das empresas de Eike Batista. Em dezembro a companhia paralisou as atividades nas minas Tico-Tico e Ipê, nos municípios de Igarapé e São Joaquim de Bicas, e não há perspectiva de retomada. Foram 600 trabalhadores demitidos.
 
A depreciação no preço do minério de ferro se agravou em 2014, quando iniciou o ano cotado a US$ 128 a tonelada e chegou a US$ 68,80 em dezembro. Ontem estava precificado a R$ 53,41.
 
Vale paralisa atividades como estratégia para elevar a margem de lucro da empresa
 
Na Vale, a paralisação das minas de Jangada e Feijão é uma estratégia para aumentar as margens de lucro diante de um mercado com preços em queda. Com custos de produção elevados, o minério pobre dessas unidades será substituído pelo produto das usinas de beneficiamento que gradualmente entram em operação, com teores de ferro mais alto e um custo por tonelada que chega a ser inferior a US$ 20.
 
Com o preço do minério em torno de US$ 50, a Vale passa ter condições de aumentar o volume produzido e com custos mais baixos, castigando mineradoras menores, que chegam a ter o dobro do custo por tonelada.
 
A companhia alocou US$ 5,5 bilhões em tecnologias de processamento que irão aumentar o atual volume de produção e estender a vida útil de três minas: Vargem Grande, em Nova Lima, e Conceição e Cauê, em Itabira. Esses projetos vão adicionar 65 milhões de toneladas por ano à produção nominal da Vale. Deste total, 26 milhões representam aumento real de capacidade, e o restante substitui a produção de minas desativadas.