O ministro Herman Benjamin, relator no Superior Tribunal de Justiça (STJ) do inquérito que investiga o governador Fernando Pimentel (PT), encaminhou ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) informações sobre a operação Acrônimo, da Polícia Federal (PF).

O compartilhamento de dados atendeu a uma solicitação do ministro do TSE, Gilmar Mendes.

Mendes quer ter acesso ao inquérito para dar andamento ao julgamento de um outro processo relativo ao governador: o que analisa a desaprovação das contas de campanha de Pimentel.

Conforme o Hoje em Dia mostrou nessa sexta (9), com exclusividade, a PF atribuiu a Pimentel o crime de falsidade ideológica por entender que ele subfaturou gastos da campanha com as empresas de serviços gráficos do empresário e amigo Benedito de Oliveira, o Bené, pivô da Acrônimo.

Até o pedido de vista de Mendes, o placar do julgamento estava em dois a um a favor da desaprovação das contas.

“Queria apenas afirmar que a investigação está sob sigilo, zelo que seja absoluto. Mas, de toda sorte, as informações foram encaminhadas ao TSE. Ou estão em via de ser encaminhadas”, declarou Benjamin, que tomou posse no TSE no lugar de João Otávio Noronha.

Para Mendes, o caso de Pimentel é semelhante ao processo da presidente Dilma Rousseff, que foi reaberto após o dono da UTC, Ricardo Pessoa, um dos delatores da “Lava Jato”, ter revelado um repasse de R$ 7 milhões para a eleição presidencial.

Histórico

A campanha do governador teve as contas rejeitas pelo Tribunal Regional Eleitoral (TRE), em dezembro do ano passado, cinco meses antes do início da Acrônimo.

Para o ministro, os novos fatos suscitados pela polícia são sérios e, por isso, devem ser analisados pelo TSE.

“Tal como ocorreu no caso das contas da presidente Dilma, aqui nós temos um sério inquérito da relatoria do ministro Herman no STJ e, talvez em algum momento, nós devêssemos inclusive conhecer desse material. Todas as revelações até aqui mostram que de fato devemos ter cuidado com esse caso”, disse Mendes ao requisitar as peças da Acrônimo, que podem ser incluídas no processo do TSE. Procurado, o advogado eleitoral do PT em Brasília não atendeu aos telefones da reportagem.

Propina

Ao avançar na área criminal, a Acrônimo aponta que Pimentel e o sucessor dele no Ministério do Desenvolvimento, Mauro Borges, atual presidente da Cemig, assinaram oito portarias beneficiando a Caoa com incentivos fiscais. A informação é do “Estadão”.

Em troca, segundo os federais, a empresa pagou “vantagens indevidas” ao empresário Bené. Conforme relatório sigiloso, Borges assinou ao menos três portarias. Já Pimentel foi signatário de outras cinco. Em resposta, os advogados do governador e de Borges não comentaram alegando sigilo no processo.