Desde o início das ações de combate à pandemia do novo coronavírus, diferentes setores da indústria automotiva estão se mobilizando para reforçar o achatamento da curva de transmissão. Com a escassez de equipamentos de proteção como máscaras, protetores faciais (aquelas com proteção de acrílico, como viseira de capacetes) e respiradores artificiais, fabricantes e fornecedores têm oferecido profissionais, insumos e laboratórios para fabricar e reparar equipamentos. Para a indústria, assim como para todos os setores da economia, achatar a curva é fundamental para que se volte à normalidade o mais breve. 

Em Betim, a Fiat Chrysler (FCA) criou uma equipe para trabalhar na manutenção de ventiladores. Segundo o grupo italo-americano, o time atua em duas frentes: uma focada no conserto e recuperação de aparelhos defeituosos do sistema de saúde brasileiro, e outra dedicada à produção de ventiladores pulmonares. 

“Os ventiladores pulmonares talvez sejam os mais críticos e requisitados aparelhos hospitalares em todo o planeta neste momento, dada a sua importância para o tratamento de pacientes em estado grave. Diante da expansão da Covid-19 no Brasil, aumentar a disponibilidade desses equipamentos no sistema de saúde nacional tornou-se uma prioridade absoluta”, afirma o diretor de Assuntos Regulatórios da FCA para a América Latina e coordenador do grupo multidisciplinar dedicado ao tema, João Irineu Medeiros.

A BMW também tem contribuído para a reparação dos respiradores. A marca alemã fechou parceria com o Senai catarinense para acelerar os reparos dos aparelhos danificados. 

Face Shields

Em Betim, a FCA entregou 100 protetores faciais plásticos (face shields) ao Instituto Médico Legal de Minas Gerais. Os protetores (feitos em impressoras 3D, na planta de Betim) serão utilizados nas atividades do IML, que exijam contato com material biológico. 

Os equipamentos serão entregues aos médicos legistas, odontologistas, peritos, investigadores de polícia e auxiliares, para proteção durante procedimentos de necropsias, nos serviços de antropologia forense, nos laboratórios e demais atividades dos instituto. Segundo a FCA, a meta é produzir 2 mil peças, todas destinadas aos serviços de saúde de Minas Gerais e Pernambuco. 

Já a Moura, fabricante de baterias para automóveis, também tem produzido protetores faciais, na unidade de Belo Jardim (PE). Segundo a empresa, os equipamentos de proteção individual (EPIs) são feitos à base de polipropileno, elástico e PET. As peças serão doadas a órgãos responsáveis pelo sistema de saúde pública.

Para fabricar as máscaras, a Moura explica que precisou fazer modificações na linha de produção.

“Reunimos um time de engenheiros e operadores, realizamos todas as pesquisas de disponibilidade de matérias-primas e capacidade de produção e, em duas semanas, iniciamos a produção dos escudos faciais. Isso enquanto outras ações dentro e fora da organização seguem acontecendo. O olhar para as pessoas faz parte do DNA da Moura e, em um momento em que união e solidariedade farão a diferença, buscamos contribuir de todas as maneiras possíveis”, explica o engenheiro líder do projeto, Reginaldo Agra.

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