O Ministério Público Federal (MPF) de Minas Gerais prorrogou por mais 90 dias o prazo para a conclusão do inquérito que apura o ataque ao presidente Jair Bolsonaro (PSL). Antes da prorrogação, o prazo terminaria nesta sexta-feira (25). 

Em setembro do ano passado, quando ainda era candidato, Bolsonaro foi esfaqueado enquanto fazia campanha. Na ocasião, Adélio Bispo de Oliveira foi preso em flagrante e confessou o crime.

A Polícia Federal, que investiga o atentado, apura neste segundo inquérito quem está financiando a defesa do suspeito. No último dia 15, a corporação pediu mais prazo para concluir o inquérito e, na segunda-feira (21) o MPF acatou o pedido.

No primeiro inquérito, a PF concluiu que o agressor agiu sozinho no momento do ataque e que a motivação “foi indubitavelmente política”. No dia 2 de outubro, Adélio Bispo foi denunciado pelo Ministério Público Federal (MPF) por prática de atentado pessoal por inconformismo político, e, dias depois, ele foi indiciado e tornou-se réu no processo.

Adélio Bispo está detido no presídio de segurança máxima de Campo Grande, no Mato Grosso do Sul.

Segundo inquérito

Ao pedir mais tempo para concluir o segundo inquérito, a PF alegou que o tempo é necessário "para que sejam concluídas diligências em curso e tenham sequências as investigações". As investigações começaram em dezembro do ano passado e levaram agentes da Polícia Federal a cumprirem dois mandados judiciais de busca e apreensão em dois imóveis relacionados ao advogado Zanone Manuel de Oliveira Júnior, um dos advogados do acusado.

Os imóveis visitados pelos policiais no dia 21 de dezembro são um hotel e uma locadora de veículos, que ficam em Contagem, na Região Metropolitana de Belo Horizonte. Nos endereços funcionam também como escritório e residência do advogado, e um outro é a sede de uma empresa, informou a PF na ocasião.

Na ocasião, Zanone informou que os policiais apreenderam uma fita de vídeo com imagens do monitoramento de segurança do prédio e um telefone celular com conversas armazenadas. A PF afirmou que as ações se destinam a “coletar provas que ajudem a identificar os responsáveis pelo financiamento da defesa do autor confesso do atentado”.

Zanone, à época das diligências, manifestou indignação com a apreensão do celular, afirmando que a ação da PF de apreensão do celular “ofende a advocacia como um todo” e que, “a partir desta, o sigilo das conversas do advogado com seus clientes está em sério risco”.

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