WASHINGTON - Segurem os seus chapéus: no próximo dia 15, uma sexta-feira, um asteroide passará raspando pela Terra, sobrevoando o nosso planeta na menor distância já registrada em um corpo celeste do seu tamanho, informou a Nasa esta quinta-feira.

O asteroide 2012 DA 14, descoberto por acaso por astrônomos depois de ter passado na imediações em fevereiro de 2012, passará a apenas 27.700 km da superfície da Terra, acrescentou a agência espacial americana.

Essa distância está além da atmosfera terrestre, mas é mais próxima do que a órbita da maioria dos satélites meteorológicos e de comunicações.

Apesar do 'raspão', a Nasa garante que não há o que temer.

"A órbita deste asteroide é tão conhecida que podemos dizer, com confiança, que mesmo considerando as incertezas orbitais, ele não poderá se aproximar mais do que 27.520 km da superfície da Terra. Portanto, o impacto com a Terra não é possível", assegurou Donald Yeomans, do Laboratório de Propulsão a Jato da Nasa.

"Ao mesmo tempo, passará a 8.047 km dentro do cinturão" de satélites, disse Yeomans a jornalistas, afirmando que a rota do asteroide o coloca no lugar perfeito para não provocar danos de impacto.

Segundo as previsões, o asteroide fará sua maior aproximação da Terra por volta das 17h54 de 15 de fevereiro (hora de Brasília, 19h24 GMT), com margem de erro de um ou dois minutos, e passará sobre o Oceano Índico, na altura da ilha de Sumatra.

Segundo os astrônomos, o corpo celeste ficará visível, com a ajuda de um telescópio, no leste europeu, na Austrália e na Ásia.

"O que será possível ver com um pequeno telescópio será algo similar a uma estrela, um pequeno ponto de luz, que se move no pano de fundo estelar", disse Tim Spahr, do Centro de Pequenos Planetas do Instituto Harvard-Smithsonian.

O asteroide tem cerca de 45 metros, sendo considerado relativamente pequeno para os padrões astronômicos.

"O objeto que extinguiu os dinossauros tinha cerca de 10 km", comparou Yeomans.

Contudo, caso colidisse com a Terra, o impacto seria equivalente, grosso modo, a uma bomba de 2,4 megatoneladas, o suficiente para destruir uma grande área, mas não para causar uma catástrofe de proporções planetárias, acrescentou.

A Nasa estima que um pequeno asteroide como o 2012 DA 14 passe pela Terra a cada 40 anos, em média, mas só atinja o nosso planeta uma vez a cada 1.200 anos.

Estatisticamente falando, isto significa que estaremos salvos por um bom tempo, já que um asteroide similar atingiu nosso planeta pouco mais de 100 anos atrás.

"Com um tamanho estimado em cerca de 50 metros, (o 2012 DA 14) tem dimensões similares ao objeto que destruiu cerca de 2.000 km2 de floresta em Tunguska, na Sibéria, em 30 de junho de 1908", declarou à AFP Mark Bailey, diretor do Observatório Armagh, na Irlanda do Norte.

Os astrônomos detectaram cerca de 9.500 corpos celestes de tamanhos diferentes que passam perto da Terra, mas calculam que este número represente apenas um décimo do que existe no universo.

Até mesmo o 2012 DA 14 quase passou despercebido no ano passado por ter voado rápido demais pelo céu observável, explicou Jaime Nomen, um dos astrônomos que o descobriram no observatório La Sagra, no sul da Espanha.