TRÍPOLI - Um atentado com carro-bomba lançado contra a embaixada da França em Trípoli deixou nesta terça-feira (23) dois policiais feridos - um deles em estado grave - e provocou importantes danos materiais, no primeiro ataque contra alvos franceses desde a queda do regime de Muanmar Kadhafi, em 2011.

Este atentado, classificado de ato terrorista pelas autoridades líbias, ocorreu em um contexto de insegurança crescente na Líbia, com milícias que fazem o que querem e em um contexto regional marcado pelo conflito no Mali, onde o exército francês interveio contra os islamitas radicais.

O presidente francês, François Hollande, cujo país participou da operação militar internacional contra o regime de Kadhafi, indicou que espera que as autoridades líbias "lancem toda a luz" sobre este ataque.

Por sua vez, o ministro das Relações Exteriores, Laurent Fabius, que viajou para Tripoli, considerou o ataque como "covarde e odioso" e garantiu que os responsáveis serão identificados e punidos.

"Condenamos com o mais extremo vigor este atentado covarde e odioso, realizado para matar", disse Fabius durante coletiva de imprensa conjunta com seu colega líbio, Mohamed Abdelaziz.

"A França espera que as autoridades líbias lancem toda a luz sobre este ato inaceitável, para que os autores sejam identificados e compareçam perante a justiça. Este ato toma como alvo, através da França, todos os países da comunidade internacional que participam da luta contra o terrorismo", afirmou Hollande em um comunicado.

Já o ministro francês das Relações Exteriores, Laurent Fabius, que viajou ao país logo após o incidente, condenou o ataque, um ato que classificou de "covarde e odioso", e garantiu que os responsáveis serão identificados e punidos.

"Condenamos com o mais extremo vigor este atentado covarde e odioso, feito para matar", disse Fabius durante uma coletiva de imprensa conjunta com o chanceler líbio, Mohamed Abdelaziz.

Segundo um correspondente da AFP no local, o prédio que abriga a sede da chancelaria francesa ficou seriamente danificado e parte do muro que o cerca foi destruído. Dois automóveis estacionados em frente à embaixada ficaram carbonizados.

Uma fonte líbia da segurança indicou que o atentado havia sido realizado com uma bomba escondida em um carro.

Uma fonte francesa confirmou o ataque contra a embaixada e disse que um guarda ficou gravemente ferido e o outro com ferimentos leves.

A explosão ocorreu às 07h00 (02h00 de Brasília). A embaixada está instalada em uma residência de dois andares situada em uma esquina do bairro residencial de Gargaresh.

Investigadores líbios chegaram ao local do atentado, onde as forças de segurança tentavam evacuar o setor.

"Já não resta nada de meu gabinete", declarou à AFP uma funcionária francesa da embaixada.

"Foi ouvida uma forte detonação às 07h00. Foi um erro muito grave instalar a embaixada em nosso bairro", disse um dos vizinhos do local.

Devido à potência da explosão, duas casas que estavam em frente à embaixada sofreram grandes danos e os vidros de uma loja que se encontrava a 200 metros de distância explodiram. A rua da legação foi inundada por água, provavelmente devido à explosão de um encanamento.

Mais cedo, o ministro das Relações Exteriores líbio, Mohamed AbdelAziz, em visita ao local atingido, já havia condenado o ataque, classificando-o de atentado terrorista.

"Condenamos firmemente este ato que consideramos um ato terrorista contra um país irmão que apoiou a Líbia durante a revolução" de 2011 que derrubou o regime de Muanmar Kadhafi, declarou.

O secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, também se pronunciou, afirmando que "os ataques contra missões diplomáticas e seus funcionários são inaceitáveis e nunca são justificados", indicou Eduardo del Buey, porta-voz adjunto da ONU.

Ban está convencido de que "as autoridades líbias farão todo o possível para assegurar que os responsáveis por este ataque serão levados perante a justiça e que os diplomatas locais serão protegidos adequadamente".

Já o porta-voz do Departamento de Estado americano, Patrick Ventrell, afirmou que os Estados Unidos condenaram o ataque, que provocou grandes danos na missão francesa, e estendiam suas condolências aos dois guardas que foram feridos.

Até o momento não se sabe nada sobre os autores ou sobre o motivo deste atentado.

Desde a revolta de 2011, a insegurança impera na Líbia, sobretudo na região de Benghazi (leste), onde são frequentes os atentados e os assassinatos, que obrigaram os ocidentais a evacuar esta cidade. Um ataque contra o consulado dos Estados Unidos em Benghazi em 2012 matou o embaixador e outros três americanos.