O candidato da oposição da Nigéria, o ex-ditador militar Muhammadu Buhari, derrotou o presidente Goodluck Jonathan na eleição presidencial por uma diferença de mais de 2 milhões de votos. 
 
Buhari conquistou 15,4 milhões de votos, enquanto Jonathan obteve 13,3 milhões, indicou nesta terça-feira (31) contagem da agência Reuters em todos os 36 Estados do país. 
 
Jonathan, que tentava a reeleição, telefonou para Buhari nesta terça-feira (31) para parabenizá-lo pela vitória na eleição deste fim de semana, disse Lai Mohammed, um porta-voz do líder eleito. 
 
"Penso que ele reconheceu sua derrota. Sempre houve o temor de que ele não fizesse isso, mas ele permanecerá como um herói por ter tomado essa medida. A tensão cairá dramaticamente", disse. 
 
Se o reconhecimento da derrota for confirmado, marcaria a primeira vez na história da Nigéria em que um partido da oposição retirou democraticamente o controle do país do partido governista. 
 
O austero e rígido general reformado, que diz ter se convertido à democracia, prometeu que porá fim a uma insurgência no norte travada pelo Boko Haram, reduto da facção extremista que deixou milhares de mortos, muitos dos quais civis, sequestrou até meninas e jurou lealdade ao Estado Islâmico. 
 
Críticos e partidários concordam que Buhari é um líder que não tratou o Tesouro do país como seu banco pessoal. 
 
Durante sua breve ditadura (1984-1985), ele governou com mãos de ferro, prendendo pessoas até mesmo por desordem e ordenando funcionários que chegavam atrasados a fazer agachamentos. 
 
Ele silenciou a imprensa e prendeu jornalistas para esconder a crescente crise econômica enquanto caía o preço do petróleo, do qual a economia da Nigéria depende. No fim, ele foi deposto por seus próprios soldados.