Líderes mundiais condenaram fortemente o protecionismo comercial neste sábado (22). As ponderações constam no comunicado final da reunião do Fundo Monetário Internacional (FMI) e do Banco Mundial, realizada em Washington. A reunião deste ano foi dominada por debates sobre como responder ao crescente sentimento antiglobalização no mundo, evidenciado pela eleição de Donald Trump nos Estados Unidos, cuja proposta política era de rever contratos comerciais, que supostamente retiravam empregos dos norte-americanos. As críticas, entretanto, seguiram um tom mais brando se comparado ao pronunciamento anterior do FMI.

No seu comunicado, O FMI pede que as nações evitem políticas muito voltadas para dentro do país, mas não foi tão rígido na fala quanto em uma declaração feita em outubro, em que pediu que os países "resistam a todas as formas de protecionismo".

A fala veio durante uma forte campanha de Trump, em que ele ameaçou impor tarifas de até 45% sobre as importações vindas do México, China e outras nações que ele acredita estarem competindo de forma injusta com os trabalhadores norte-americanos.

Na conferência no encerramento do evento, a diretora-gerente do FMI, Christine Lagarde, e Agustin Carstens, chefe do Banco do México e presidente do comitê de políticas do FMI, aparentemente tentaram minimizar as mudanças. Lagarde disse que um texto mais forte condenando o protecionismo e promovendo também o combate às mudanças climáticas - tema que, por sinal, não foi citado no documento de encerramento - permaneceu em um outro documento separado que define a agenda de políticas do FMI.

Já Carstens disse que é importante, na questão do comércio internacional, analisar os diversos pontos de vista dos países. "Todos queremos comércio livre e justo e é isso que está refletido no comunicado", afirmou, quando questionado por repórteres sobre a linguagem mais branda do documento.

Uma mudança semelhante de tom no combate ao protecionismo também foi observada em um comunicado feito pelo G-20, no mês passado, em Baden-Baden, na Alemanha. Em uma entrevista junto com Lagarde neste sábado, o secretário do Tesouro dos Estados Unidos, Steven Mnuchin, disse que o debate interno para formular a redação do comunicado de hoje do FMI levou muito menos tempo do que o feito para o do G-20. Ele disse também que o objetivo da administração é tornar o comércio mais justo, não criar barreiras contra o protecionismo. "Os Estados Unidos são, provavelmente, o país mais aberto do mundo comercialmente falando", disse.

Mnuchin também foi questionado sobre a reforma tributária que Trump deve anunciar na quarta-feira. Ele disse apenas que a intenção do governo é simplificar o processo tanto para pessoas físicas, quanto para empresários. "Queremos criar um sistema em que o americano médio possa declarar seus impostos em uma carta, não em um livro". O secretário do Tesouro, entretanto, não deu mais detalhes sobre a reforma - que Trump prometeu ser um corte maciço nos impostos, o maior de todos.

A reunião do FMI e do Banco Mundial foi feita em um bom momento da economia global, que tem sido sustentada pela melhora no desempenho dos Estados Unidos e China, dois dos principais motores do comércio mundial. Além disso, os preços das commodities começaram a se recuperar, o que tem ajudado países em desenvolvimento. A última projeção do FMI para o crescimento global neste ano é de +3,5%, figurando como o mais acentuado nos últimos cinco anos.

Apesar do momento favorável, o comunicado alertou para uma série de riscos que vão desde o fraco crescimento da produtividade, até os altos níveis de endividamento e maiores incertezas políticas.

A economia global tem lutado contra um crescimento no desemprego depois uma crise devastadora em 2008. Os líderes reconheceram os efeitos adversos da recessão, que tem dado suporte ao crescimento do protecionismo e ao combate à imigração.

O ministro de Finanças da Alemanha, Wolfgang Schäuble, disse que se nada for feito para combater a crescente desigualdade de renda, "veremos mais protecionismo e países indo contra a globalização".

Já o ministro de Finanças do Japão, Taro Aso, tentou minimizar os debates sobre o protecionismo, ao afirmar que acredita que o livre comércio, que alimenta o crescimento global desde o fim da Segunda Guerra Mundial, seria mantido, mas com algumas alterações.