A família de Robin Williams se reuniu na segunda-feira (30) para discutir a divisão da herança e o testamento do ator, que morreu em 2014. O documento deixado por Williams, porém, abre um precedente que pode se tornar um modelo para outras celebridades: ele restringiu os direitos de uso de sua imagem, nome e assinatura pelos próximos 25 anos.

Isso significa que não haverá campanhas publicitárias ou recriações virtuais suas -como hologramas- que usem imagens do ator até 2039. Na prática, o que os diretores de 'Velozes e Furiosos 7' fizeram com a imagem do ator Paul Walker, recriando-a digitalmente, será algo impossível no caso de Williams.

Advogados apontam que se trata de algo inédito, e especula-se que os representantes do ator estejam atentos ao desenvolvimento das novas tecnologias, que permitem que celebridades "reencarnem" em produções que, ocasionalmente, acabem prejudicando a imagem que construíram em vida.

No cinema, o uso de "recriações" digitais de atores foi abordado na animação "O Congresso Futurista", estrelada por Robin Wright (a Claire, de "House of Cards"), que, em um futuro distópico, retrata um mundo onde artistas em decadência permanecem eternamente jovens ao digitalizarem suas imagens e gestos, que posteriormente são usadas franquias de qualidade questionável.

Além disso, todos os direitos sobre a imagem do autor até agora, segundo o testamento de Williams, serão revertidos para a organização de caridade Windfall Foundation, planejada pelos representantes do ator. Caso o caráter filantrópico da instituição recém-criada seja negado, o documento prevê que toda a renda atribuída à publicidade de Robin Williams seja dividida entre ONGs como Médicos sem Fronteiras.